Desde o final de dezembro, a rua em que vive a contadora Adriana Xavier, 40 anos, está sem iluminação pública. Ela e os vizinhos já perderam as contas do número de vezes que pediram a solução do problema à administração. Mas por enquanto, nada foi feito.
Isso não está acontecendo em um local perdido do interior do País. Mas em Santo André. Mais exatamente na rua Parintins, na Vila Floresta. Em 2010, a cidade teve uma receita de R$ 1,3 bilhão, a 21ª maior entre os municípios brasileiros.
Segundo dados do anuário Multi Cidades 2011, da Frente Nacional de Prefeitos, naquele ano, a soma arrecadada com impostos e outras receitas pelas cinco maiores cidades da região atingiu a marca dos R$ 5,6 bilhões. Mesmo assim, problemas primários, típicos de municípios com menos recursos, ainda persistem por aqui.
MEDO /“Antes a gente ficava até tarde na rua, conversando na frente de casa. Agora já não estamos mais conseguindo fazer isso. Estamos com medo de que alguma coisa possa acontecer se ficarmos mais tempo sem luz”, comentou Adriana.
“A prefeitura disse que ainda não escolheram uma nova empresa para fazer a manutenção das luzes. Enquanto isso, a gente fica no escuro”, afirmou o aposentado João Alves de Souza, 83 anos, que mora quase em frente a casa da contadora.
SAÚDE /Já no caso da dona de casa Sônia Gomes da Silva, 41 anos, o problema é outro. Moradora de Rio Grande da Serra, ela aguarda há cerca de quatro meses a chance de fazer uma ressonância.
“Sinto muitas dores pelo corpo e os médicos não encontram nada. Por isso precisava fazer aquele exame. Mas não estou conseguindo marcar. Está muito difícil. Sinto que desse jeito vou morrer”, disse Sônia.
Enquanto isso, ela se aguenta do jeito que dá. “Isso está me afetando muito. Estou tendo que me automedicar. Tomar quatro remédios diferentes”, destacou.
Questionada a respeito da sua opinião sobre a aplicação de recursos pelas cidades da região, Sônia deixou ainda mais clara a sua decepção.
“Não estou vendo para onde está indo o meu dinheiro. Se depender das guias para marcar exame ou consulta, eu estou perdida. É só dando um jeitinho, tendo algum amigo influente, que a gente consegue alguma coisa”, completou.
IPTU e IPVA são 14,6% da receita
Só com esses dois tributos as principais cidades do ABCD arrecadaram em 2010 R$ 817 milhões; recursos obtidos pelos municípios cresceram uma média de 14,2% em um ano
A receita obtida com o IPVA (Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e o IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) correspondeu a 14,6% da receita dos municípios da região em 2010. As informações são do anuário Multi Cidades 2011, da Frente Nacional de Prefeitos.
Somente com esses dois tributos, foram arrecadados naquele ano R$ 817 milhões, dois quais R$ 510 milhões com o IPTU e R$ 307 milhões com o IPVA.
Na divisão por cidades , São Bernardo foi a cidade que arrecadou o maior volume com o imposto sobre veículos: R$ 121 milhões
O maior município do ABCD também foi o que atingiu o melhor resultado com o IPTU, com arrecadação de R$ 193 milhões .
VARIAÇÃO /Numa comparação entre 2009 e 2010, a receita das cidades de Diadema, Mauá, Santo André e São Bernardo cresceu em média 14,2% no período. O maior índice de crescimento aconteceu em Diadema: 18,1%, passando de R$ 570 milhões para R$ 682 milhões.
Santo André, por sua vez, foi a cidade com o menor ritmo de crescimento: 9,9%. Subiu de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,34 bilhão.
Em São Bernardo, a variação foi de 12%, ou R$ 400 milhões, Aumentou de R$ 1,9 bilhão para R$ 2,3 bilhão a receita financeira do município em um ano.
Receita per capta
Se a arrecadação de São Bernardo fosse dividida igualmente entre todos os moradores da cidade, cada um receberia R$ 3.143,68. Em Mauá, o valor seria de R$ 1.330,36.
Investimento em Saúde
Segundo o anuário Multi Cidades, São Bernardo é o 12º município do País em investimento na saúde. Em 2010, foram aplicados R$ 560 milhões. Em São Caetano foram R$ 147 milhões.
Educação no ABCD
São Bernardo também é a cidade da região que mais investiu em educação em 2010. Foram R$ 522 milhões. 9º maior orçamento do País.
2,6
milhões. Essa é a população da região do ABCD.