10/01/2017 15:58

Para Apeoesp, unificar ensinos é 'ação de amigos'

Doria e Alckmin anunciaram pacote de parcerias entre as gestões do estado e município

Por: Ana Paula Bimbati
anapb@diariosp.com.br

Alckmin e Doria firma parcerias / Foto: Nico Nemer/DiárioSP

A menos de um mês para o ano letivo começar, o prefeito João Doria (PSDB) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) resolveram anunciar na segunda-feira (9) pela manhã, após uma reunião de três horas com os seus  secretários, no Palácio dos Bandeirantes,  a unificação das redes de educação municipal e estadual.

Segundo os tucanos, a parceria prevê calendário único,   mesmo material pedagógico, número de ciclos e compartilhamento de “espaços ociosos de salas de aula nas redes”. 

Para  Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), a medida não passa de uma “ação entre amigos”. “Acredito que possa ser uma forma de impor a reorganização escolar, sem ninguém perceber”, disse.

Projeto de Alckmin, a reorganização do ensino estadual foi duramente criticada em 2015, quando anunciada. Estudantes chegaram a ocupar unidades alegando que o projeto previa, na verdade, fechamento de escolas e consequente superlotação das que seguiriam abertas. Com a pressão, o tucano acabou recuando da medida.

Sem aprofundar o projeto, Doria e Alckmin afirmaram que os responsáveis pelas pastas, José Renato Nalini (estadual) e Alexandre Schneider (municipal), dariam detalhes. No entanto, os secretários saíram do Palácio enquanto  os chefes ainda falavam com os jornalistas.

“Prefiro que as respostas sejam dadas pelos secretários de Educação, até como princípio seguindo o que foi definido nessa reunião”, disse Doria, se esquivando do tema.

Além da educação, áreas como  habitação, saúde, segurança e emprego  fazem parte do pacote de parcerias entre os governos.

2018

Ao G1, Nalini negou que  haverá unificação do sistema. “Ninguém está falando em unificação. É um regime de colaboração”, explicou.

Não é o que pensa a presidente da Apeoesp. “Não é um regime de colaboração. A questão salarial é diferente, a estrutura é diferente. Ou eles vão juntar recursos? Fazer uma redistribuição?”, questinou Maria Izabel.  

Para o secretário, Doria e seu padrinho político Alckmin cometeram um erro ao falar em unificação. “Foi um uso inadequado. Um lapsus linguae (erro acidental).” Nalini disse ainda que nada será mudado com o calendário escolar deste ano. “O calendário deste ano já está definido. Se houver possibilidade de fazer o mesmo calendário (para as redes), será para 2018.”

Análise: Neide de Aquino Noffs, professora do Centro de Educação da PUC de São Paulo

Investimento não pode parar 

Se pensarmos na migração do aluno da escola municipal para estadual, a união dos calendários e atividades é boa, porém existe uma preocupação: o investimento. O investimento na educação não pode parar. Não se pode perder também a peculiaridade de cada região, pois há comunidades que precisam de mais investimentos, de outras propostas. E também não adianta ter uma proposta e não garantir qualidade. O estado e município precisam avaliar não somente a facilidade que vai gerar no cotidiano, mas se vai ter investimento na infraestrutura, se os professores serão mais estimulados. Há uma série de lacunas.

Governo ignora liminar e mantém reajuste no Metrô

Apesar de a Justiça ter suspendido na sexta-feira o reajuste das tarifas de integração no Metrô e na CPTM (veja os valores abaixo), que passariam a valer no domingo, o governo estadual  ignorou a liminar expedida pelo juiz Paulo Furtado Oliveira Filho e o reajuste começou a valer no domingo, confundindo milhões de passageiros do sistema.

Na segunda-feira, no Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin (PSDB) justificou a negativa no cumprimento dizendo que não havia recebido a notificação e, assim que a tivesse em mãos, recorreria “imediatamente”, porque entende que  a decisão do aumento foi a “mais correta e  beneficia quem mais precisa”. 

No entanto, documentos mostram que Alckmin se negou a receber a liminar, pois em anexo do processo, o oficial de  justiça João Carlos Siqueira Maria relatou que no mesmo dia da decisão judicial, sexta-feira às 17h20, ele se dirigiu até a sede do governo tucano  para entregar o papel.

Segundo sua assessoria, o tucano não se negou a assinar o comunicado e , horas depois do evento no Palácio, deu entrada na medida cautelar para cancelar a decisão, a qual na visão dele é “danosa ao interesse público”.

Durante a manhã, o secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, havia colocado ainda mais fogo no imbróglio ao criticar a liminar. “O juiz, eu acho, estava mal informado. Porque o Metrô e a CPTM  são integrados há muito tempo. Por R$ 3,80, se você comprar um bilhete no Centro, você pode ir para Jundiaí, você pode ir para Mogi das Cruzes.”


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