06/01/2017 20:51

Coordenadora critica medida que acaba com pancadão

'Acabar com pancadões é declarar guerra contra periferia'; ativistas querem regularização dos bailes

Por: Renan Xavier
renanxavier@diariosp.com.br

Horas depois de o novo secretário municipal de Cultura, André Sturm, praticamente descartar projetos de regularização dos pancadões na gestão João Doria (PSDB), na manhã da última quinta-feira (5), ativistas do movimento funk reagiram: “A Prefeitura declarou guerra contra a periferia”, afirmou a coordenadora do Projeto Funk SP, Lilian de Lima, 37, ao DIÁRIO.

Em coletiva de imprensa, na manhã de quinta-feira (5), Sturm revelou sua estratégia para atrair jovens de regiões periféricas e esvaziar, aos poucos, os polêmicos bailes funk. Segundo o titular da pasta, a ampliação da programação e funcionamento das 52 bibliotecas, casas de cultura e centros culturais da capital, inclusive aos domingos, seriam uma alternativa de diversão aos jovens de bairros carentes, que poderiam trocar os pancadões por shows, teatro, apresentações sinfônicas e dança.

“Vão ficar lá (nos pancadões) as pessoas que estão interessadas em outras coisas, que não sejam necessariamente a diversão. Diversão é o que nós queremos oferecer, de um jeito diferente, com uma programação diferente. Devagar, nós vamos dar essa alternativa aos jovens (que frequentam bailes funk)” afirmou Sturm.

Já para Lilian, ativista pela regulamentação dos eventos, a ausência de políticas para esse tipo de manifestação fere a liberdade de expressão de jovens pobres, que têm nos bailes de rua sua principal referência de lazer aos fins de semana.

“Quando o poder público não se adequa à realidade das periferias ele se torna opressor, tenta impor um padrão elitista e viola nossos direitos”, disparou. “Quantos jovens eles pretendem manter em bibliotecas públicas ouvindo Beethoven (compositor clássico)?” ironizou Lilian, que critica a falta de consulta à população.

Os pancadões são realizados no meio da rua  e provocam revolta a moradores pelo som alto, comércio de álcool a menores e consumo de drogas.

Para o presidente da Associação Rolezinho: a voz do Brasil, Darlan Mendes,  27, a solução para os problemas gerados pelas festas de rua está na regulamentação. “O governo João Doria (PSDB) está dando um tiro no pé ao não abrir diálogo com os principais interessados, a própria população jovem de periferia. Criminalizar o movimento é mais fácil ”, criticou o ativista. “Tornar oficial um evento é a primeira e melhor forma de prevenir suas mazelas. Não é diferente com os bailes funk. Só é preciso se livrar do preconceito”, avaliou.

Bailes funk oficiais acabavam às 22h

Organizados pela gestão Fernando Haddad (PT) a partir de março de 2015, o Projeto Funk SP, pancadão controlado pela Prefeitura, tornava oficiais os bailes funk, contornando os principais problemas relacionados à segurança pública, como o som alto madrugada adentro, uso de drogas e consumo de bebidas alcoólicas por menores. A festa era dividida em setores: uma das áreas era exclusiva para adultos, identificados por pulseiras coloridas, onde se vendia bebidas alcoólicas. Os eventos recebiam apoio da Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana, Secretaria Municipal de Saúde, além de ambulâncias. O controle oficial sobre as festas foi elogiado por moradores onde os eventos foram realizados.


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