06/01/2017 16:31

Especialistas comentam volta do 'Clube do Chaves'

Após desagradar o público vespertino, 'Fofocando' deu lugar às criações de Roberto Bolaños

Por: Bárbara Saryne
barbara.vieira@diariosp.com.br

Foto: Divulgação

O ano começou com novidades na grade de programação da emissora de Silvio Santos. O “Fofocando”, que vinha ocupando a faixa das 14h, passou a ser transmitido, desde a última segunda-feira, às 8h.

A mudança deu lugar ao “Clube do Chaves”, que agora toma conta das tardes do SBT com as histórias contadas pelo mexicano Roberto Gómez Bolaños, o  querido Chespirito.

Para Maria Thereza Rocco,  especialista em TV pela USP, a aposta da emissora paulistana se deve ao fato de “Chaves” ser um “curinga” nas mãos de Silvio Santos. “Os desenhos são sempre atraentes. O Chaves é um personagem divertido, sem nenhuma maldade, é ingênuo e para todas as idades”, avalia ela.

Os fãs do personagem, como Antônio Purcino, administrador da página Fórum Chaves no Facebook, celebram o período em que poderão assistir ao ídolo. “Ele tem esse caráter universal, atemporal. As piadas e o roteiro são fáceis de entender. O Chaves criou vínculo com os brasileiros”, explica o admirador.

Embora a audiência da emissora do Complexo do Anhanguera  tenha melhorado - Na quinta-feira (5), o SBT registrou 7,5 pontos, e, nos últimos meses se manteve na casa dos 6 -, o especialista em TV Claudino Mayer acredita que faltou um planejamento  mais elaborado  por parte do patrão. “Não é só mudar o horário. O ‘Fofocando’ tem de ser reestruturado. Eles precisam acertar o tom, repensar. Às vezes, de quem estão falando, não interessa”, critica o expert.

Ainda segundo Claudino, o programa de fofocas das celebridades não se manteve no período vespertino por causa da concorrência - no horário, Fabíola Reipert apresenta a “Hora da Venenosa”, quadro do jornalístico “Balanço Geral”, da Record. “Para a Fabíola chegar onde está, ela passou por um processo que começou há alguns anos, quando ela ainda trabalhava em jornal impresso”, defende.

Sobre o futuro do programa de Mama Bruschetta, Leão Lobo, Mara Maravilha e o misterioso homem do saco, ainda é cedo para opinar. “O formato  precisa conquistar um público que não está acostumado a consumir esse conteúdo pela manhã”, diz Maria Rocco. “Falar mal da vida dos outros nesse horário, não pega bem (risos)”, alfineta Claudino, que imagina que o público já tenha definido o que deseja ver neste horário. “As pessoas ligam a TV nos noticiários”, afirma.

‘E agora, quem poderá nos defender?’

Os fãs de Chaves não estão completamente felizes com a programação do “Clube do Chaves”. Na página do Facebook Fórum Chaves, criada com o objetivo de reunir admiradores de Roberto  Bolaños, alguns seguidores demonstram  insatisfação. “Nos últimos dias passaram oito episódios do Chaves e só um do Chapolin”, explica  o administrador Antônio Purcino, de 27 anos, que deseja ver os mais diversos trabalhos de Roberto na TV. “É o que o ‘Clube do Chaves’ prometeu apresentar”, enfatiza o rapaz.

Se muitos adultos assistem ao desenho por nostalgia e passam o costume de geração em geração aos familiares, as crianças também estão ajudando a balançar o ibope. “Estamos no mês das férias escolares. Na TV, falta programação para esse público”, opina  Bruno Novais, de 21 anos, estudante  de Relações Internacionais e fã de Chaves. “Continuo me divertindo com o seriado”, diz ele.

 


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