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17/12/2011 07:31

Piscinão que acabou com enchentes no Pirajuçara

Com a construção dos piscinões, como o de Cedrolândia, inundações do córrego parecem estar sob controle Ivo Patarra
ivo.patarra@diariosp.com.br
Edilson Dantas/Diário SP Gigantesco reservatório de água de Cedrolândia, na bacia do Córrego Pirajuçara Gigantesco reservatório de água de Cedrolândia, na bacia do Córrego Pirajuçara

As chuvas assustadoras de verão estão cada vez mais próximas. Nesta semana tivemos uma mostra do que está por vir, com o transbordamento do Tamanduateí e a enchente que castigou vários bairros à margem do rio.

Em outra parte da região metropolitana, porém, as inundações de áreas no entorno do Córrego Pirajuçara, causadoras de muito sofrimento aos moradores das zonas Sul e Oeste de São Paulo nos últimos 20 anos, parecem estar sob controle.

“No caso do Pirajuçara, como no do Pacaembu, os piscinões podem ter resolvido o problema”, afirmou o engenheiro Luiz Fernando Orsini, especialista em recursos hídricos e águas pluviais, com 35 anos de experiência. Ele acrescentou: “As enchentes não têm uma só solução, ainda mais em cidade complexa como São Paulo.”

As inundações do Pirajuçara deram prejuízos durante anos. A partir dos anos 1990, contudo, com a construção dos piscinões, que são grandes reservatórios para armazenar o excesso das águas das chuvas, a situação melhorou.

Já são seis os piscinões que retêm as águas do Pirajuçara: Cedrolândia, Sharp e Jardim Maria Sampaio, em São Paulo. Nova República, no Embu das Artes, e Parque Pinheiros e Portuguesinha, em Taboão da Serra. Juntos, eles dispõem de capacidade de guardar mais de um bilhão de litros de água.

As obras do sétimo piscinão do Pirajuçara, o do Olaria, em São Paulo, já estão em curso. O Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), responsável pela construção do reservatório, informa que ele terá capacidade de 80 milhões de litros e será coberto com jardim, área de lazer, esportes e local para atividades culturais.

O plano do governo estadual é conseguir acumular 1,7 bilhão de litros de água da bacia do Pirajuçara. “Os sistemas de drenagem acomodam as águas, mas nunca se sabe ao certo a intensidade das chuvas de verão, nem como elas se distribuem no tempo e no espaço”, alertou o engenheiro Orsini.

51 piscinões/Ao todo, a região metropolitana já possui 51 piscinões. Só a Prefeitura de São Paulo administra 20. A maior parte dos reservatórios sob responsabilidade do Daee, que pertence ao governo estadual, fica na bacia do Rio Tamanduateí. São 19, situados nos municípios do ABCD. No início de 2012 está previsto o início das obras de mais um na região do Tamanduateí, o do Guamiranga. Só nos piscinões do Pirajuçara o Daee já aplicou perto de R$ 90 milhões.

Além dos altos custos de implantação e de manutenção, há o problema da falta de terrenos para a construção dos reservatórios. O engenheiro Orsini chamou a atenção para outro ponto importante: “É necessário aumentar a capacidade de absorção das águas pelo solo, com novas áreas verdes, programas de arborização e desimpermeabilização.”

O especialista reconheceu que não é fácil. Nossa cultura sempre favoreceu a impermeabilização do solo. “As pessoas chegam em São Paulo vindas do interior, de regiões pobres, e é status não andar em terra batida, não entrar em casa com pé de lama ou ficar varrendo as folhas das árvores.”

Além disso, a urbanização das cidades, com os empreendimentos imobiliários. Tudo vira cimento, asfalto “Falta espaço para aumentar a capacidade de drenagem em áreas urbanas”, afirmou o especialista.

Com a finalidade de preparar a cidade para a época das chuvas, a Prefeitura realiza, no domingo, uma operação de limpeza na Marginal Pinheiros e vai desobstruir bocas de lobo e poços de visita. No sábado passado, foi a vez da Marginal Tietê.

No futuro, piscinão terá água limpa e será área de lazer
O engenheiro Luiz Fernando Orsini trabalha na elaboração de um programa de gestão das bacias  hidrográficas de São Paulo. Ele vai propor à Prefeitura um modelo parecido com o existente na Itália. Lá, as primeiras águas das chuvas, aquelas que carregam os detritos e lavam a cidade, vão para reservatório fechado e depois são tratadas. Só as águas limpas vão para os piscinões, que fora da época das chuvas são parques com áreas de lazer. “Hoje, ninguém quer morar perto de piscinão por causa do lixo e da sujeira”, afirmou Orsini. “Isso tem de acabar.”

Para reduzir os custos de manutenção dos sistemas de drenagem, o especialista sugere controle da erosão. “Infelizmente, nem as obras públicas têm controle. A terra e a areia acabam nos  rios e córregos, obstruindo o caminho natural  das águas.”

O engenheiro também quer asfalto e blocos de concreto porosos, que absorvam as águas das chuvas. “É mais caro, mas o dispendioso acaba não sendo a obra, mas o prejuízo provocado pelas enchentes.” Outra proposta: trincheiras de infiltração, ao lado das sarjetas. São valas de brita, para a água se infiltrar no solo.

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