05/05/2013 07:00

Cátia Fonseca é uma dona de casa igual a você

Rainha das Tardes da Gazeta diz que anda de metrô e convive superbem com as gafes que comete ao vivo


Cátia virou a rainha do quadro 'Top Five', sucesso do programa 'CQC' / Alan Morici/Diário SP


Por: Luciano Guaraldo
lucianog@diariosp.com.br

Um programa ao vivo de quatro horas diárias é um desafio que poucos topariam. Cátia Fonseca, porém, se empolga com algo assim. “Adoro me desafiar! Você tem de estar preparada para tudo, pois, no programa ao vivo, nunca sabemos o que vai acontecer.”  É verdade. No dela, acontece de tudo, muitas gafes inclusive. Mas Cátia se sente à vontade com elas. Tem sido assim nos 11 anos que está à frente do “Mulheres”, na TV Gazeta.

A busca por desafios foi o que a levou para o universo dos programas femininos. “No início, eu queria apresentar telejornal. Fiz alguns testes na Rede Mulher e o diretor ficou de me chamar quando surgisse uma oportunidade”, conta ela. “Em 1994, surgiu o ‘Com Sabor’, um programa feminino, de culinária, bem diferente de telejornal. Mas eu fui, apresentei, gostei e estou até hoje nesse universo.”
A paulistana, por sinal, é uma defensora ferrenha de deixar o destino seguir o seu caminho. “Eu não gosto de programar nada. Se você vai aproveitando as oportunidades que surgem, acaba vivendo coisas que jamais esperaria.”

Sem exageros de vaidade, ela diz que não fica se torturando com cirurgias plásticas. “Eu me cuido, mas não dá para querer ter 18 anos a vida toda. Você tem de aprender a se tornar uma pessoa bonita de acordo com a idade que tem”, conta Cátia, de 44 anos. “Eu compro hidratante e ele passa da validade porque eu me esqueço de usar, sou até bem relapsa nesse aspecto.”

Apesar de estar num meio em que status e glamour são valorizados, a apresentadora se revela uma mulher de hábitos simples, comuns, como os das donas de casa com quem ela fala na TV. “Ando de metrô, vou à feira, ao supermercado, à Rua 25 de Março, procuro os produtos baratos na hora das compras.” Ela diz que, muitas vezes, as pessoas a veem no transporte público e não acreditam que seja mesmo ela. “Acham que é uma pessoa  parecida comigo.”

Cátia conta que também faz  supermercado e procura estar sempre perto de seu público, até mesmo nas redes sociais . “Quando você atinge muitas pessoas, acho que tem a obrigação de tentar ser o mais acessível que puder.”

Discrição/ Ao mesmo tempo em que se expõe no “Mulheres”, Cátia consegue manter sua vida particular longe da mídia. Casada com o jornalista Dafnis da Fonseca, ela é mãe de dois jovens: o diretor de fotografia Thiago, de 25 anos, e o estudante de psicologia Felipe, de 20. Em casa, mantém a rotina de dormir sempre as dez da noite. “Não vou a festas, baladas. Às vezes, algum artista vai ao programa e me convida para um show, mas só começa por volta da meia-noite, aí não dá.

Sem medo de virar piada

A rainha do “Top Five”. Assim Cátia é chamada pelo pessoal do “CQC”, da Band, de tanto que ela já liderou a lista de gafes no famoso quadro do humorístico.  “Eu não ligo. Pelo contrário, até me sinto lisonjeada”, diz ela. “Adoro o programa deles e o humor que eles fazem.”
Cátia já ficou na bancada do “CQC”, como convidada. Foi, inclusive, para comemorar o “Top Five” de número 200. Provando que realmente convive bem com o fato de ser chamada de “sem noção” pelos meninos do “CQC”, ela também já levou alguns deles ao “Mulheres”.

Numa das vezes em que liderou o quadro,  Cátia apareceu   entrevistando uma mulher, de nome Vanessa, para esclarecer dúvidas sobre sexo. À certa altura, a entrevistada conta que teve 11 primeiras vezes. Cátia ri demais. A entrevistada explica que sentia dor, mandava o cara parar e assim foi até conseguir ter uma relação completa.  E Cátia: “Não era charminho?”.

Aliás, ela foi só risada também no quadro com o ginecologista Eliano Pellino ao ouvir o termo “vagina com dentes”. Cátia riu tanto, que o médico  ficou absolutamente sem graça. Resultado: de novo no “Top Five”!

Em outra data,  ela diz que eletrodoméstico é igual marido: “Cada um conhece o seu”. Na hora de mostrar como funciona um  liquidificador, ela não consegue ligá-lo e dispara: “Pelo visto, eu não conheço o meu.” Sem dúvida, um prato cheio para um humorístico!

Balé de 40 pessoas para driblar qualquer imprevisto ao vivo

Programa feminino mais antigo da TV brasileira, o “Mulheres” está no ar há mais de 30 anos. Por ele, já passaram nomes como Claudete Troiano, Ione Borges, Márcia Goldschmidt, Leão Lobo e Clodovil. Cátia Fonseca, porém, nega sentir o peso do cargo que ocupa. “Cada um tem o seu estilo e isso garante espaço para todo mundo. Então, eu tento buscar o meu jeito, fazer aquilo em que acredito da maneira que eu sinto”, diz ela, que também já teve a responsabilidade de substituir Ana Maria Braga no “Note e Anote”, da Record, quando a loira se transferiu para a Globo.

Cátia minimiza ainda a cobrança por audiência – apesar de estar entre os produtos mais vistos da TV Gazeta. “A maior cobrança vem de mim, para fazer a cada dia algo melhor e diferente. Então, vamos sempre inovar, criar novos quadros, buscar novidades. Cair na rotina é um saco, não dá mesmo. E, na Gazeta, a gente tem espaço para experimentar, a pressão é menor, isso é ótimo.”

Como se trata de um programa ao vivo, Cátia sabe que precisa estar preparada para imprevistos. “Tudo pode acontecer. A haste de um refletor já caiu no meio do estúdio, uma gelatina já pegou fogo, uma panela de parafina também. Fica mais divertido assim, eu adoro sair do roteiro”, diz.

Para ajudá-la com a tarefa de colocar no ar quatro horas diárias de conteúdo, Cátia conta com uma equipe de cerca de 40 pessoas, comandadas pelo diretor Rodrigo Riccó. “Nós funcionamos como engrenagens, todo mundo trabalha junto por um objetivo maior. Um ajuda o outro, o senso de coletividade tem de ser muito grande”, explica a apresentadora. “É como um balé, tudo muito sincronizado, você tem de fazer a sua parte e ficar de olho no resto, não dá para se isolar.”

É evidente também que um dos principais atrativos do “Mulheres” é a relação de Cátia com Mamma Bruschetta, a folclórica fofoqueira. A amizade das duas se estende para fora das telas, mas nem sempre foi assim. “Quando eu assumi o ‘Mulheres’, em 2002, a Mamma era maldita, venenosa demais. E eu não queria trabalhar assim, pedi para tirarem ela do programa”, confessa Cátia. “Aí eu fui para Roma, fui abençoada pelo papa e voltei mais boazinha”, brinca Mamma. “Hoje, essa gorda já é da minha família”, completa Cátia, aos risos.

 

 


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