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esportes
09/10/2011 21:57

Obras do Fielzão podem seguir até 24h por dia

Estreia até o fim do mês o segundo turno de obras com planos de manter operários trabalhando dia e noite Jorge Nicola
jorge.nicola@diariosp.com.br
Daniel Mobilia/Diário SP Jeová Mendes, o Capitão, é só orgulho ao falar da obra no Fielzão Jeová Mendes, o Capitão, é só orgulho ao falar da obra no Fielzão

O presidente corintiano, Andrés Sanchez, não chutou quando apostou que o Fielzão estará pronto em setembro de 2013. A pedido do Comitê Organizador Local, Timão e Odebrecht estão apertando o passo na condução das obras do estádio e trabalham para antecipar em pelo menos 90 dias a entrega do provável palco de abertura da Copa do Mundo de 2014.

A programação para acelerar a conclusão do Fielzão está feita e começa a funcionar no fim deste mês, quando a Odebrecht inicia o segundo turno de trabalho. Hoje, os cerca de 480 operários pegam no batente às 7h30 e ficam até as 17h30. Em breve, parte deles seguirá neste horário, enquanto outra entrará às 13h e saíra às 23h.

“Essa mudança é necessária para maximizar o tempo”, explica o gerente operacional da Odebrecht, Frederico Barbosa.

Mas não é só: a construtora já combinou com o sindicato dos operários a criação de um terceiro turno, previsto para janeiro de 2012. “A partir daí, estaremos trabalhando 24 horas por dia. O último turno será composto por gente que vai entrar às 20h e sair às 5h, pouco depois da abertura do Metrô”, revela o engenheiro alvinegro.

Casa cheia
A criação de um terceiro turno coincidirá com o período em que o Fielzão contará com até dois mil operários, cerca de quatro vezes o  efetivo atual. “A partir do ano que vem, a obra já vai começar a ganhar cara de estádio, com direito até a assentos instalados”, conta Frederico Barbosa.

A Odebrecht está terminando de montar uma fábrica de peças pré-moldadas dentro do Fielzão. Ela será fundamental para dar ritmo à obra. “Produziremos aqui pilares, vigas no formato jacaré e vigas estruturais. São as peças mais pesadas, que dariam muito trabalho para transportar”, explica.

Assim que saírem da fábrica, elas passam a ser encaixadas  nos blocos e pilares que estão sendo fincados no futuro estádio. “O trabalho até parece a um jogo de Lego, em que você encaixa uma peça em cima da outra até formar a figura”, acrescenta o engenheiro.

Quanto antes entregar o Fielzão, mais bem avaliados o Corinthians e a Odebrecht ficarão aos olhos do mundo. Afinal, alguns meses depois, o estádio deve receber a partida do Brasil na estreia da Copa de 2014. Ao final dos trabalhos, ainda serão precisos pelo menos três meses para a instalação das arquibancadas removíveis atrás dos gols, aumentando a capacidade de 48 mil para 68 mil pessoas.

Confira reportagem da TV DIÁRIO sobre as obras do Itaquerão, clicando aqui

Operários corintianos falam em fazer história
A maioria dos 480 operários que trabalham na construção do Fielzão tem ânimo redobrado para pegar no batente. Explica-se: eles são corintianos e demonstram o maior orgulho de fazer parte da obra que vai dar a tão sonhada casa ao Timão.

Um dos alvinegros mais fanáticos é o ajudante de pedreiro Jeová Mendes, mais conhecido como Capitão. Ele garante que adiou a aposentadoria para ter a chance de participar do que chama de momento mágico na história do Corinthians. “Estamos há cem anos esperando por um estádio. Durante todo esse tempo, já mostraram uma porção de maquetes, mas só agora o sonho vai virar realidade”, afirma Capitão, extremamente empolgado.

“Eu venho trabalhar feliz da vida e estou cada vez mais confiante de que ele vai sair do papel. Agora, já tem até um campo improvisado”, acrescenta o ajudante de pedreiro, que é uma espécie de faz-tudo no Fielzão.

O pedreiro Luiz Pedro de Souza também está na relação de operários entusiasmados com as obras em Itaquera. “Todos os meus amigos sabem que estou trabalhando aqui e vivem fazendo perguntas sobre o andamento das obras. Esse estádio é um dos acontecimentos mais importantes da vida do Corinthians”, avalia o operário, capaz de se imaginar assistindo a jogos do Timão no local futuramente.

“Acho que nunca tive tanta vontade de trabalhar quanto agora. É como se eu estivesse construindo a minha casa”, emenda Capitão, admitindo que se mete constantemente a fiscalizar o serviço dos companheiros. “Principalmente dos palmeirenses. Porque eles são minoria, mas também estão por aqui. Então, preciso ficar de olho”, corneta.

Além de poder contar para os filhos e netos que ajudaram ativamente no erguimento do Fielzão, os operários têm outro motivo para se vangloriar: eles disputaram sexta-feira a primeira partida no terreno desde o início das obras. No futuro, vão desfilar pelo estádio alguns dos maiores craques do planeta, mas a honra do jogo inaugural foi dos trabalhadores.

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