Por vales, serras e planíces, um grupo de aposentados de São Paulo seguiu por 10.050 quilômetros em direção ao Planalto Central para protestar por um reajuste melhor dos benefícios.
Da cidade de São José dos Campos saíram dois ônibus com aposentados da região do Vale do Paraíba. O ônibus em que o DIÁRIO viajou tinha 44 passageiros, com idades entre 60 e 74 anos.
A maioria era ex-funcionários das montadoras e empresas de autopeças da região, aposentados há mais de dez anos e com uma média de três netos. A soma da idade dos passageiros chegava a 2.745 anos.
“Na era Collor, os cara-pintadas invadiram as ruas. Agora é a vez dos cara-enrugadas demonstrarem sua insatisfação com o governo e exigir da Dilma uma condição digna, como ela prometeu na campanha”, afirmou Warley Martins, presidente da Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas).
No ônibus, o clima era de alegria e música. As conversas até a primeira parada, em Limeira, giravam em torno da programação de televisão, dos horários dos remédios, das restrições alimentares e, principalmente, das reivindicações.
“Muitos companheiros gostariam de estar aqui. Não estão por conta da idade ou problemas de saúde. Nós estamos representando todos eles”, disse Josias Mello, presidente da Admap (Associação Democrática dos Aposentados e Pensionistas do Vale do Paraíba).
Em Ribeirão Preto, o grupo parou para esperar os ônibus vindos de outras cidades, A viagem em comboio é uma questão de segurança. “Em 2010, um ônibus foi atacado por ladrões na estada em Goiás. Deram um tiro que pegou na lateral do ônibus”, disse Mello.
Após 20 horas e meia de viagem, os aposentados chegaram em Brasília e se reuniram a outras caravanas para protestar.
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