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18 MAIO
esportes

Bruninho tem presente ideal para Bernardinho

Na final do vôlei, levantador quer passar pelos russos na Olimpíada e dar o ouro de presente para o pai José Eduardo Martins / Londres
jose.martins@diariosp.com.br
ES O técnico Bernardinho também tem uma medalha como jogador O técnico Bernardinho também tem uma medalha como jogador

Bruno pretende dar um presente inesquecível para Bernardinho no Dia dos Pais. Neste domingo (12), às 9h, o levantador comanda a seleção brasileira masculina de vôlei na disputa contra a Rússia na decisão olímpica. Se subir ao lugar mais alto do pódio, o técnico receberá do filho a medalha de ouro.

“Fiquei pensando nisso. É Dia dos Pais, ele merece. Aliás, não só ele, como toda a família, todos sofrem por nós dois. Mas ele merece pela paixão que deposita. Vou fazer de tudo para dar esse presente”, avisou o levantador, filho do treinador com a ex-jogadora Vera Mossa.

Destaque da equipe este ano, o jogador de 26 anos disputa a segunda Olimpíada. Em Pequim-2008, saiu com a prata após derrota para os Estados Unidos.

“Pequim marcou demais, também, muitos jogadores estavam parando. Grandes jogadores, importantíssimos na minha chegada”, contou.

O técnico ficou feliz ao saber do presente que o filho pretende dar.

“Vou receber com o maior carinho, mas a medalha deve ser para ele, que merece mais”, disse o comandante.

Com o pódio de Londres, Bernardinho é o maior vencedor do esporte olímpico brasileiro. Ele soma seis conquistas: prata em 1984 e 2008, bronze em 1996 e 2000, ouro em 2004 e o triunfo deste ano. Porém, como treinador não recebe medalha nos Jogos, tem só a de 1984, que levou como atleta. Era levantador, como o filho.

“Para mim, a medalha maior dessa Olimpíada é completar o ciclo de jogadores que vão parar. Isso é mais importante e é o que vai ficar. A medalha, se fizerem uma cópia e derem para mim, vou tê-la. Caso contrário, não. Está na memória, é bacana, mas vem outro jogo, depois, e você até se esquece”, falou.

MARCAÇÃO/ Apesar de elogiar o filho, Bernardinho ainda acha que Bruno tem de evoluir.

“Ele é um jogador em processo de desenvolvimento. É um trabalhador, não um supertalentoso, que nasceu com um dom. O importante é que temos uma dupla interessante. Um, com uma virtude, que também foi desenvolvida. Se falássemos há 15 anos, ninguém acreditaria que o Ricardo se transformaria no que virou. O maior jogador da história, pelos resultados.”

Mas não é só na quadra que Bernardinho faz o estilo linha-dura com o filho. Ele fica de olho até mesmo na internet.

“Falo para ter cuidado com essas coisas da modernidade. Não quero que um filho meu viva de ilusão, porque a luz vai apagar para todos nós e a vida vai continuar. Não pode sofrer e depender disso”, contou Bernardinho, que garante não ter direcionado o filho a jogar vôlei.

“A minha satisfação seria a mesma se ele tivesse outra profissão. A Júlia (filha dele com Fernanda Venturini), por exemplo, nem quer ouvir falar de vôlei, porque o esporte tira muito os pais de casa. Vou ver o balé dela e acho o máximo. Se ela for se realizar e ser feliz, que bom. Antes de tudo, o Bruno é um cara do bem”, elogiou.

Bernardinho só não admite a comparação com ele. Para o comandante, o filho é superior.

“Nunca joguei uma partida assim em Olimpíada. Quantos títulos brasileiros ganhei? Dois. Ele já ganhou cinco. Campeão é quem entrega resultado e ele faz isso. Faz a diferença. E ele tem grandes levantadores na disputa por posição”, ponderou o pai coruja.

Após passeio na fase inicial, Brasil prevê outra Rússia hoje

Na primeira fase da Olimpíada, o Brasil passou com tranquilidade pela Rússia, por 3 sets a 0. Hoje, a equipe espera um adversário mais bem preparado.

“É um time homogêneo, que voltou a jogar bem. Mas sabemos que o cara que vai decidir é o Mikhaylov”, analisou o levantador Bruno.

O central Rodrigão alerta para uma possível armadilha.

“Certa vez, ganhamos deles na fase classificatória de uma Liga Mundial e, depois, perdemos na decisão.

"Temos de ficar atentos. Esqueçam-se do jogo da primeira fase, não tem nada a ver com a final, será outra Rússia. Já com muito mais continuidade, com menos erros, alterações na formação...”, avaliou Bernardinho.

Para ele, o  Brasil também evoluiu.

“Melhoramos na confiança do nosso grupo”, emendou.

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