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Brasil chega a 200 feiras e festivais literários

22ª Bienal do Livro de SP começa dia 19 de agosto. País já contabiliza 200 eventos literários em 2012 Agência Brasil

Às vésperas da 22ª Bienal do Livro de São Paulo, que vai de 9 a 19 de agosto, o país contabiliza oficialmente cerca de 200 festivais e feiras literárias, segundo calendário organizado pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Além de um levantamento, o calendário se propõe a facilitar apoio oficial a esses eventos, que podem receber R$ 100 mil (feiras grandes e médias) e R$ 50 mil (feiras pequenas) diretamente, ou apoios variados, por meio de editais de renúncia fiscal atrelados à Lei Rouanet, do Ministério da Cultura (MinC).

“Nestes momentos [durante festivais e feiras literárias], os meios de comunicação entrevistam escritores, falam sobre leitura, mostram a vida de leitores que transformaram suas vidas graças aos livros e à leitura. São momentos em que a sociedade para e presta a atenção.

Ao mesmo tempo são oportunidades para aqueles que vivem de livros, vivem de literatura terem esse contato mais próximo. Uma e outra coisa são oportunidades para ajudar a fomentar a leitura na sociedade”, disse à Agência Brasil o presidente da FBN, Galeno Amorim.

Segundo Amorim, o foco principal da instituição está no apoio às atividades descentralizadas, nas periferias das grandes cidades e em cidades do interior.

Descentralização

A diversidade de feiras (eventos mais comerciais, com maior diversidade de títulos trazidos por livreiros e editoras) e de festivais (mais focados no desenvolvimento de um “gosto pela leitura, com maior participação de autores e discussão de temas e obras”) é hoje alvo de um esforço de ampliação pelo governo, que busca combater sua concentração no eixo Sul/Sudeste. Sem sucesso até o momento, como admite o coordenador-geral de Economia do Livro da FBN, Jorge Teles.

“Há uma carência muito grande que a gente percebeu no diálogo com as regiões, primeiro de que o próprio poder público local, em algumas cidades, valorize a cultura, o livro e a leitura. Várias das ações que nós gostaríamos de fazer não foram realizadas porque é um ano muito delicado para fazer estímulos junto ao poder local, por conta do período eleitoral”, explicou Teles, que afirmou que mesmo a preferência, no último edital, por projetos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste não foi suficiente para a descentralização esperada pela FBN, a exemplo de editais de outros setores culturais promovidos pelo MinC.

Segundo o gestor, deve ser levada em conta, ainda, a falta histórica de apoio do governo federal para feiras e festivais e a falta de equipes nos municípios que se dediquem a conhecer os canais de financiamento e preparar projetos para aproveitá-los. “Após o final do embargo eleitoral, nós apoiaremos novos festivais e há uma grande demanda de projetos para 2013. A gente está muito animado com isso, pois achamos que as regiões Norte e Nordeste vão fazer um trabalho muito interessante no próximo ano”, disse.

Grandes eventos, como a Bienal do Livro de São Paulo, tem papel relevante nesta política, ainda que tenham um efeito de centralização de mercados. “Para tornar o Brasil um país de leitores você vai trabalhar com criação, que é a parte dos escritores e vai trabalhar também com produção e difusão do livro. Isso tem o seu clímax nas grandes feiras de livro. A ideia é fazer com que o livro chegue mais perto do cidadão. Então nada melhor do que uma boa vitrine e as feiras são uma ótima vitrine. Nossa preocupação não é com o gigantismo, mas com a não existência de alternativas”, disse Teles.

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