Cachoeira, ao lado do ex-ministro (direita), durante depoimento à CPI
O escritório do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos deixou nesta terça (31) a defesa do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A advogada Dora Cavalcanti Cordani, que pertence ao escritório, informou que a saída não tem relação com a suposta tentativa de suborno por parte da mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça.
Segundo a advogada, já havia um acordo com a família de Cachoeira que previa a saída após as audiências na 11ª Vara Federal em Goiânia, ocorridas na semana passada.
“Tínhamos combinado que, após as audiências, começaríamos a transição para um outro escritório escolhido por eles. Estamos em reunião com a família e acho que até o final da semana já poderemos repassar o processo”, explicou a advogada. Thomaz Bastos já estava fora do caso há duas semanas. Ele foi ministro da Justiça na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Autoridades que atuam no caso acreditam que a saída do escritório de Thomaz Bastos pode ser mais uma estratégia do grupo do bicheiro – seria uma forma de ganhar tempo nesta fase final do processo em curso na Justiça Federal de Goiás. A tentativa de colocar o magistrado sob suspeição também seria uma estratégia da defesa para adiar a decisão judicial.
Cachoeira é acusado de envolvimento em um esquema de jogos ilegais e de liderar uma organização criminosa que teria cooptado políticos e empresários. Ele está preso desde o dia 29 de fevereiro, em Brasília. Na segunda-feira, a mulher de Cachoeira foi detida sob suspeita de tentar chantagear o juiz responsável pela investigação, Alderico Rocha Santos. Andressa prestou depoimento na Polícia Federal em Goiânia e foi liberada. Nesta terça, ela pagou a fiança de R$ 100 mil, uma das medidas estipuladas pela Justiça Federal para que sua prisão preventiva não seja decretada.
Além disso, Andressa, que é considerada pelo Ministério Público como mensageira do grupo de Cachoeira, ficou impedida de ter contato com os réus no processo, inclusive com seu marido. A Polícia Federal poderá fazer nos próximos dias uma acareação entre a mulher de Cachoeira e o juiz federal Alderico Rocha Santos. Santos é o segundo juiz do caso. O primeiro, Paulo Moreira Lima, responsável pela prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira, pediu para sair do processo, alegando que estava recebendo ameaças.
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