Kauã, neto de Maria, passou mal na escola após ficar sabendo da desapropriação
Oito famílias que moram na Rua Boaventura, no Parque Edu Chaves, na Zona Norte de São Paulo, convivem há dois meses com o medo de ter suas casas demolidas. O anúncio da desapropriação foi feito através de uma intimação emitida em maio pela Prefeitura por meio da Subprefeitura Vila Maria/ Vila Guilherme.
As casas incluídas na ordem de despejo foram construídas há 30 anos junto ao muro de um terreno onde funcionou uma garagem de ônibus. Segundo os moradores, nessa área será erguido um condomínio residencial da construtora Odebrecht. A Prefeitura alega se tratar de uma área pública e diz que não há relação do despejo com a construção do empreendimento.
As famílias, sem apresentar provas, insistem que a Odebrecht não quer as residências de baixo padrão ao lado dos novos prédios. O projeto prevê a construção de três torres com capacidade para 700 moradias com um custo de R$ 200 mil cada. “As nossas casas não interferem em nada na construção dos prédios. Só querem valorizar o condomínio e precisam nos tirar daqui. Convivemos há mais de 20 anos com a garagem e ninguém nunca falou nada”, afirma a moradora Kátia Cristina Barbosa dos Santos, de 33 anos.
Desde o anúncio de desocupação, em maio, já foram inúmeras idas à subprefeitura do bairro, à Defensoria Pública e ao Poder Judiciário, mas os donos dos imóveis “condenados” seguem sem saber se as suas casas continuarão de pé e até mesmo se têm direito a algum tipo de indenização.
A auxiliar de enfermagem Maria Emília Silva Carvalho, de 54 anos, diz que a sua rotina tem sido correr atrás do Poder Público para tentar solucionar o impasse. Ela mora com o neto de 9 anos na casa. “Há alguns dias a professora da escola ligou porque ele estava passando mal. O Kauã estava com medo de chegar em casa e já terem derrubado”, diz Maria Emília. Ela reside na mesma casa há 29 anos. A dona de casa Maria do Socorro dos Santos Silva critica a pouca importância que estão dando para o caso e a falta de informação. “Eu já fui duas vezes na Defensoria Pública e não falam nada. Não sabemos mais o que fazer.” Ela espera ao menos entrar num programa de habitação da Prefeitura.
Casas foram construídas irregularmente
A Subprefeitura Vila Maria/Vila Guilherme informou que as casas estão em uma área pública invadida. A ação de desocupação foi feita após reclamações de associações de moradores do bairro. O órgão informou que não será feita nenhuma ação de desapropriação sem que os moradores participem de programas da Secretaria Municipal de Habitação.
Odebrecht nega ter relação com ações
Em nota, a Odebrechet afirmou que “o terreno onde estão alocadas as famílias não pertence a empresa, que, portanto, não tem nenhum poder legal sobre a área ou as eventuais ações em curso”.
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