Ponteira Mari e técnico José Roberto Guimarães sempre tiveram bom relaciomento
A dispensa de Mari continua na cabeça dos integrantes da seleção feminina de vôlei. Nesta quinta-feira, a campeã olímpica em 2008, conhecida por seu jeito instrospectivo, deixou de lado a timidez e questionou a decisão do técnico José Roberto Guimarães. “Não concordo com o corte de maneira alguma. Mas respeito a decisão dele”, reclamou a jogadora de 28 anos.
Quando foi anunciado o corte, na terça-feira, o treinador alegou questões técnicas. No entanto, a ponteira se considera em totais condições de disputar os Jogos de Londres.
“Discordo totalmente, seria loucura concordar (com a dispensa). Entendo que ainda tenho como ajudar a seleção. Ele (Zé Roberto) sempre falou que sou craque. Estava evoluindo. Tenho bagagem de duas Olimpíadas e fui titular nas duas. Ainda tenho muita lenha para queimar”, garante a atleta.
O treinador, por sua vez, prefere não entrar em polêmica e insiste na questão técnica para justificar a decisão.
“Respeito a opinião da Mari de não concordar comigo. A questão é técnica. Só isso”, assegura o comandante.
Aliás, esse é o único ponto no qual os dois concordam. Para a jogadora e o treinador, questões fora de quadra não influenciaram na dispensa.
“Não existe nada disso. Ela não tem problema de relacionamento com ninguém”, afirma Zé. “Quem fala isso não vive o dia a dia da seleção. Conflitos internos sempre vão existir, seria hipocrisia dizer que não, até porque é um grupo de mulheres. Mas o time não está dividido”, completa Mari.
Mais cortes/ A seleção brasileira se prepara para a Olimpíada com 14 atletas, em Saquarema. Mais duas ainda serão cortadas até o início dos Jogos.
“A dispensa é sempre uma questão muito complicada. É a parte mais difícil. Tento fazer isso de maneira individualizada. Converso com a jogadora longe do grupo, até porque cada pessoa reage de uma maneira. Existem algumas que ficam com vergonha do restante da equipe”, explica o técnico, bicampeão olímpico.
Para definir o futuro da ponteira Natália, que se recupera de cirurgia, o treinador vai esperar até o começo dos Jogos. “Não tenho um prazo para divulgar essa relação”, diz Zé Roberto.
Entrevista
José Roberto Guimarães_
Técnico da seleção
‘Para mim, o corte da Mari também foi muito doloroso’
DIÁRIO_ Como foi para você cortar a Mari?
JOSÉ ROBERTO GUIMARÃES_ Para mim, o corte da Mari também foi muito doloroso. É sempre difícil tirar uma jogadora da lista. Mas é uma situação que faz parte do contexto. É complicado não só para as jogadoras, mas também para a comissão técnica. É sempre uma separação dolorosa.
Como você faz para esses momentos não impactarem tanto no grupo?
É impossível você fazer esses cortes não terem impacto junto ao grupo. Todos sentem.
Você pretende falar novamente com a Mari?
Não tenho problema algum (com ela). Não houve nada de diferente, é uma situação como a de outras jogadoras que tiveram de ser cortadas da seleção.
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