Paulinho, Fábio Santos e Willian Arão brincam em treino na Bombonera
É difícil dizer como um monte de concreto e ferro causa tanto medo em algumas pessoas. Difícil, pelo menos, para quem nunca visitou La Bombonera, temido palco do jogo de ida da decisão da Libertadores, nesta quarta-feira, às 21h50, entre Boca Juniors e Corinthians. O estádio cravado no coração de La Boca impressiona até quem não entra em campo.
Pelas grades dos portões fechados, único meio de os torcedores verem parte do gramado, o fascínio já ficava evidente. Principalmente no rosto dos corintianos que ainda não conheciam o estádio. “Tem cara de caldeirão”, “deve ser terrível entrar aí dentro” e “imagine a pressão que a torcida faz neste estádio” foram algumas das frases ditas pelos torcedores. E olhe que nesta terça-feira o barulho do estádio não chegava nem perto do que vai acontecer nesta quarta, com quase 49 mil torcedores nas arquibancadas da Bombonera.
A meta da comissão técnica não é preparar o lado técnico da equipe, mas, sim, a cabeça de cada jogador. Tite vem dando discursos de que, dentro de campo, a torcida não pode fazer a diferença. O objetivo é amenizar ao máximo a pressão do caldeirão azul e amarelo, jogando com coragem e alegria.
“O jogo vai ser tenso e exige um poder de concentração maior do que nas outras partidas. Principalmente nos primeiros 20 minutos. Mas a nossa parte mental está sendo preparada. Temos jogadores experientes, que já disputaram competições importantes”, disse o atacante Emerson.
A arquitetura do estádio realmente impressiona. Quem sobe em certos pontos da arquibancada tem a nítida impressão de que pode despencar a qualquer momento, tamanha a inclinação dos anéis.
No campo, a situação não é das melhores. O jogador que vai bater escanteio, por pouco, não é alcançado pelo braço de um torcedor. A massa fica extremamente perto do gramado, separada apenas por uma grade ou grandes placas de vidro. O jogador incumbido de cobrar escanteios, se tomar mais distância do que o normal, é capaz de ser pego pelo braço por algum fanático do Boca.
Como se não bastasse, a Fiel ficará longe de seus jogadores. O setor de visitante é no último anel de arquibancada, atrás de um dos gols e longe do gramado. Justamente para os gritos serem abafados pela barulhenta torcida argentina.
E o que o Timão fará para entrar calmo em campo nesta noite? Nada de diferente.
A tranquilidade vem sendo a marca do Corinthians na Libertadores. Tanto que, para a final, nada de inventar moda. O Timão vem do mesmo jeito dos últimos jogos. “Não tem nenhuma novidade. Vou querer uma fórmula mágica para a final? Na decisão, é fazer o que fizemos até agora, durante a campanha”, garantiu Tite.
Fórmula mágica, é difícil de encontrar no futebol. Mas, se calar La Bombonera e mais de 40 mil vozes a favor do Boca, o Corinthians vai ter conseguido um feito digno de campeão.
Opinião
Lucas Bettine, enviado especial a Buenos Aires
Não é a Argentina na Libertadores
Assim como no Brasil, onde quase todos os palmeirenses, são-paulinos e santistas vão torcer contra o Corinthians, os rivais do Boca Juniors prometem secar o time argentino na noite desta quarta. Os fanáticos de River Plate, Independiente, Racing e todos os outros clubes grandes do país vão se vestir de preto e branco.
O clima de rivalidade fica evidente em todos os lugares. Basta entrar em um táxi e perguntar qual é o time do motorista. ”Durante a vida inteira, fui River Plate, mas nesta quarta, por 90 minutos, serei Corinthians”, falou o motorista que nos levou ao estádio do Boca.
Os motivos são pra lá de variados. Os fãs do Independiente não pretendem ver o Boca chegar aos mesmos sete títulos continentais do clube do coração. Os do River Plate, que acabaram de retornar à Primeira Divisão, querem que a felicidade fique apenas no lado vermelho e branco da cidade. Racing, San Lorenzo, Banfield... Cada um tem o seu motivo, mas a opinião final é a mesma para todos: o Corinthians é muito mais a Argentina na Libertadores do que o Boca.
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