O alerta é tão velho quanto as tradições das festas juninas: cuidado na hora de soltar os fogos de artifícios e manusear objetos inflamáveis ou com fogo (caso da fogueira, por exemplo). Mas, acredite, a quantidade de gente queimada no Brasil só aumenta.
“O que percebemos em relação ao número de atendimentos é um crescimento de pessoas queimadas, não uma evolução tão intensa como há dez anos, mas ainda um crescimento”, fala o pediatra Rodrigo Feijó, um dos diretores da SBQ (Sociedade Brasileira de Queimaduras).
De acordo com dados da Secretária Estadual da Saúde, 257 pessoas morreram nos últimos dois anos no estado vítimas de queimaduras – foram 137 em 2010 e 120 em 2011.
A capital e a região metropolitana do estado lideram os casos de morte nos últimos dois anos. A região de Rio Preto (35), seguida da região de Bauru (33) e Sorocaba (21) são outras com esse destaque negativo no estado.
De cada três pessoas que dão entrada em atendimento médico por conta desta ocorrência, duas são crianças, as maiores vítimas.
Até 6 anos, os pequenos são vítimas de escaldaduras, quando são atingidas por líquidos quentes. Um alerta: nunca deixe os cabos da panela virados para fora do fogão, pois as crianças puxam e aí os acidentes acontecem. Os maiores de 6 anos costumam se queimar com fogo, objetos inflamáveis e fogos de artifícios e bombinhas.
“A recomendação é uma só nestes casos: para um primeiro socorro, coloque a parte queimada debaixo da água corrente e leve o ferido para atendimento médico. Em caso de incêndio, no qual há o risco de a pessoa ter inalado fumaça, ligue para o Samu”, orienta o médico da SBQ.
fique de olho
As queimaduras por fogos de artifício, comuns nesta época, são consideradas graves, pois atingem mãos, rosto e pés. “Sempre quando essas áreas são atingidas, ainda mais por pólvora, são queimaduras gravíssimas, pois podem causar até mutilação”, alerta Rodrigo. Novamente, atenção com as crianças. É normal nas festas os pais comprarem bombinhas de pouco poder de explosão ou biribinhas. Porém, até mesmo esse material tem certo perigo.
“As faíscas podem atingir substâncias com potencial para incêndio, como o álcool”, esclarece a médica Adriana Moraghi, da Unidade de Queimados de um hospital estadual.
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