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Cooperativa recicla metade do lixo da cidade

Nascida em comunidade ao lado do aterro sanitário, associação ganhou o apoio da prefeitura de São Paulo Lucilene Oliveira
Especial para o DIÁRIO
Daniela Souza/Diário SP Orgulhosa, a cooperada Débora afirma que agora os seus filhos têm um quarto Orgulhosa, a cooperada Débora afirma que agora os seus filhos têm um quarto

Cerca de 50% do lixo produzido em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, é coletado e reciclado pela cooperativa Avemare. Fundada em 2006, graças à iniciativa de catadores da Vila Esperança, que conseguiram 20 adesões a um abaixo-assinado,  a associação hoje ocupa um galpão cedido pela prefeitura no Centro da cidade e emprega cerca de 90 pessoas, que fazem a coleta e triagem dos recicláveis. Na última quarta (11), a Operação Bairro a Bairro do DIÁRIO conheceu o projeto de reciclagem.

A fundadora do projeto é Iraci Ferreira Alves, de 56 anos, a dona Zo. Ela teve um papel fundamental na organização do grupo, que temia perder a fonte de renda com a desativação do aterro sanitário da cidade. No início, a dificuldade, segundo ela, era transformar os catadores em verdadeiras equipes, onde um estivesse disposto a ajudar o outro.
 
 “Cada um trabalhando por si no lixão chegava a ganhar R$ 1,5 mil. Mas, no começo, além de ficarem 45 dias sem receber, o salário foi só R$ 200”, relembra dona Zo. Hoje, os 86 cooperados já recebem o equivalente ao que ganhavam seis anos atrás, mas com condições de trabalho muito mais favoráveis.

Com o crescimento da cooperativa, a renda mensal, que é dividida entre os trabalhadores, chega a R$ 100 mil. Também são realizados eventos anuais para contribuir com um salário adicional no mês de dezembro. A Avemare também serve café da manhã e almoço para os cooperados e quem possui filhos pequenos pode trabalhar tranquilo, já que o projeto conta com uma creche destinada aos filhos dos catadores.
 
CASA PRÓPRIA/ A melhora na vida dos associados de recicláveis não foi apenas no âmbito profissional. Eles, que moravam ao lado do aterro sanitário em barracos de madeiras, sem saneamento básico e o mínimo de conforto, agora falam emocionados da conquista da casa própria. “Agora os meus filhos têm um quarto e isso é muito significativo para mim, pois antes a casa onde morávamos era apenas de um cômodo”, conta a cooperada Débora Felipe Brito, de 30 anos, mãe de três filhos.

De acordo com a prefeitura de Santana do Parnaiba, 375 toneladas de lixo produzido na cidade é reciclado. O volume é possível através do trabalho desenvolvido pela Avemare, que separa e reverte o material para grandes indústrias.

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