A cada mil veículos emplacados em Rio Preto, 60 são importados. Desde o carro ao tratamento estético, o mercado premium avança a passos largos e conquista consumidores de distintas classes sociais. Além do aumento do poder aquisitivo da população, o acesso à informação impulsiona o crescimento.
Vislumbrando a realização de grandes negócios, a Eurobike inaugurou este mês, em Rio Preto, uma rede com sete concessionárias de veículos premium. Comercializa as marcas Audi, BMW, BMW Motorrad, Mini, Land Rover, Porsche e Volvo. O investimento é de R$ 18 milhões
“As vendas em Rio Preto cresceram 100% de 2009 para 2010 e outros 50% em 2011”, diz o sócio-proprietário da Eurobike, Alexandre Gaeta.
A decisão de investir em Rio Preto veio depois de uma pesquisa de mercado que apontou a praça como uma das maiores em potencial de crescimento.
A empresa atende as classes A e B e Rio Preto se destaca no cenário nacional por ter maior percentual da população na B2. “O governo não percebe que ao aumentar em 30% o IPI dos importados exclui parte da população de ter acesso a veículos sem similares no Brasil”, diz o diretor regional Wilson Masteguin. No complexo automotivo é possível comprar veículos que partem de R$ 79,9 mil até R$ 517 mil.
Pelo menos 1,2 mil veículos premium foram vendidos em Rio Preto em 2011. A participação dos importados de luxo no mercado local é de 6%, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores.
Bebidas
Outro segmento de produto premium que cresceu é o de bebidas. Há cinco anos, o consumo de cervejas premium em Rio Preto era de 0,5% do total vendido na cidade. Hoje, representa 5%. A informação é do gerente comercial da Conebel, Joaquim Tavares. “O mercado que mais cresce de cerveja é o premium. Se as vendas de cervejas comuns aumentam 10% em um ano, a de especiais aumentam 40%.”
As nacionais mais vendidas são a Original e a Bohemia. Entre as importadas, em primeiro está a belga Stella Artois, seguida da americana Budweiser.
Há quatro anos a rede Pão de Açúcar passou a comercializar cervejas especiais. Hoje, disponibiliza de 120 rótulos, de dez países. É o maior varejista nacional desse segmento.
O grupo inseri os tipos de cerveja conforme o perfil de renda e consumo de cada região.
O publicitário Leonardo Manzano, 28 anos, dá preferência às cervejas especiais em reuniões com amigos e família. “São feitas para apreciar e não para tomar em um churrasco”. As que ele mais gosta são a uruguaia Norteña e a australiana Foster´s.
Finos
A mesma tendência se nota entre os vinhos. “De 2007 para cá houve uma migração no consumo de vinhos de mesa para vinhos finos que chega a 70%”, diz a gerente da Malte Whisky, Gislaine Cristina da Silva Souza.
Ela aponta a mudança como resultado do maior conhecimento da população em geral. “A partir do momento em que as pessoas souberam que há vinhos para todas as classes sociais, as menos favorecidas passaram a frequentar a casa e com o tempo deixaram o vinho de mesa para consumir os vinhos finos e importados.”
Inaugurada há um ano em Rio Preto, a Enoteca Cursino também se beneficia do novo contorno que se traça entre os consumidores rio-pretenses. “O paladar é um dos sentidos que mais instiga o ser humano. Os clientes experimentam vinhos melhores e aí não há mais volta”, diz o proprietário da Enoteca, Paulo Cursino.
Tratamentos estéticos atraem também a classe C
Foi-se o tempo em que tratamentos estéticos e de beleza era só para quem tivesse uma conta bancária gorda. “Vi na TV um tratamento para emagrecer e liguei para a minha filha. Ela procurou na internet e viemos na Onodera”, diz a aposentada Lourdes Gonçalves da Silva, 60. Ela e a filha, Sandra, 37, começaram as sessões de massagem em janeiro. São três por semana e Lourdes comemora os resultados. “Eliminei cinco quilos.”
É a primeira vez que a aposentada, que mora no Solo Sagrado, passa por um tratamento estético. Mas assim que terminar, pretende fazer outros. “Chegou a hora de gastar o dinheiro comigo. Estou me sentindo ótima.”
Segundo a franqueada Onodera de Rio Preto, Daiana Menegotto, os clientes pertencem a todas as classes sociais. “Temos aqueles que vêm em uma Mercedes e os que chegam a pé.”
Ela afirma que nos últimos cinco anos o aumento na procura é superior a 30%. “Oferecemos tratamentos para emagrecer que a sessão sai por R$ 24 ou por R$ 500. Depende do que a cliente quer e quanto está disposta a pagar.”
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