A frase a seguir não é recomendada para os fanáticos por basquete.
“A possibilidade de fechar existe. E acredito que é maior agora do que no começo da temporada. No início acreditávamos que poderíamos agregar mais gente. É diferente de hoje, que temos buscado até parceiros fora da região.”
Essa foi a resposta de Joaquim Figueiredo, presidente do Itabom/Bauru, sobre o risco do time fechar no meio do ano. É a primeira vez que um membro da diretoria fala abertamente sobre a crise financeira do time.
O contrato com a Itabom, principal patrocinadora da equipe, termina em julho. Também atravessando uma crise, a empresa pediu um prazo até abril para decidir se continua com a parceria. E, ao contrário das outras temporadas, a empresa não participa mais ativamente das decisões do clube.
Tanto que ainda existe o famoso 20% de déficit no orçamento da Associação, que até o ano passado era bancado pelo próprio Pedro Poli, dono da empresa. “Existe o déficit, mas está administrável. É claro que ano que vem não queremos continuar com esse registro. Se não acontecer algo diferente, teremos que pensar com a razão.”
Diante dessa realidade, o time passou a economizar. Em jogos fora de Bauru, a equipe viaja apenas com dez jogadores para gastar menos com hotel. Mesmo assim, os salários dos jogadores e comissão técnica atrasaram em alguns períodos – a primeira vez no início deste ano, nos jogos contra Paulistano e Pinheiros. “Foi um atraso que eles levaram bem. Tanto que eles arrebentaram nos jogos e fomos até o vestiário agradecê-los”, lembra Joaquim.
Boa fase/ Mas nem tudo são trevas para o Itabom/Bauru, pelo contrário. A fase do time dentro da quadra é a melhor da história do projeto, iniciado em 2007. Só fica atrás da época de ouro da modalidade, quando levou o título paulista em 1999 e o Brasileiro de 2002.
“Quem está junto com o projeto está vibrando nos jogos. A cidade nos vê com bons olhos”, fala o presidente do Itabom/Bauru, lembrando que alguns patrocinadores querem permanecer na próxima temporada, mas faltam empresas de maior aporte financeiro.
Na última temporada o time terminou na quinta colocação do NBB. Neste ano terminou o Paulista em terceiro, melhor campanha desde o vice-campeonato em 2000. Na atual temporada terminou o primeiro turno do Nacional entre os quatro primeiros, o que garantiu vaga no Torneio Interligas, no mês que vem. E ainda em março o maior desafio da equipe: a disputa da Liga das Américas, cuja sede será no reformado ginásio Panela de Pressão, mais uma possível fonte de receita.
“Não podemos desprezar que é um desafio sair da Luso com um público fiel. Mas acredito que essa fidelização continua na Panela e vamos criar alternativas para encher os outros assentos vazios”, garantiu Joaquim.
A estreia da Panela será no dia 16 de março, na primeira fase da Liga das Américas. A expectativa, agora, é que não seja usado pelo basquete por apenas três meses.
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