Era quinta-feira, 9 de outubro de 2008, quando Lindemberg Alves Fernandes, à época com 22 anos, deu o ultimato: “É bom você ficar longe da Eloá ou eu te mato”. Naquele dia, Paulo Henrique Monteiro, então com 15 anos, procurou a melhor amiga para contar que tinha sido ameaçado pelo ex-namorado dela. “É melhor nos afastarmos Paulinho. Eu sei muito bem do que ele é capaz”, foi a resposta dada pela jovem. Em quatro dias, começaria o sequestro mais longo da crônica policial de São Paulo, que só terminou com o assassinato de Eloá mais de 100 horas depois.
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O adolescente que frequentava festas de debutante, fazia trabalhos escolares e trocava bilhetes carinhosos com Eloá cresceu. Agora faz faculdade, namora e há três anos tenta superar o trauma da tragédia provocada por Lindemberg.
Foi após horas de conversa que Paulo decidiu quebrar o silêncio e falar com o DIÁRIO. Antes disso, repetiu diversas vezes que respeita a família da amiga e que nunca quis se promover com o caso. “Não sou muito de falar o que sinto. Mas eu gostava muito, muito dela”.
O rapaz acompanhou de perto o relacionamento de Eloá e Lindemberg. A adolescente costumava confidenciar que o namorado tinha o costume de humilhá-la na frente dos amigos. Apaixonada, ela aceitava as grosserias e rompimentos. E em todas as separações pedia para reatar o romance.
Foi quando ela quis terminar que as perseguições e ameaças começaram. Lindemberg largou o emprego e passou a rondar a escola da ex-namorada em sua motocicleta. “Ele falou que iria matá-la várias vezes. Eloá estava desesperada, dizia que queria mudar para bem longe”, lembra Paulo.
Em uma pasta de plástico, o rapaz guarda fotografias e fotos da amiga. Em uma delas, ela diz que “finalmente se sentia livre para ser feliz”.
Inseparáveis/ Eloá, Nayara, Paulo, Iago Vilera e Victor de Campos eram amigos inseparáveis. Na manhã antes do crime a turma apresentou um seminário e combinou de fazer outro trabalho à tarde, no apartamento de Eloá. Paulo não foi porque passou mal.
Quando escurecia, o pai de Iago procurou Paulo e os dois foram até o Jardim Santo André. Nenhum dos adolescentes atendia o telefone e todos ficaram preocupados. “Ligamos e ninguém atendeu. Quando mexemos na maçaneta, a Nayara gritou. O inferno tinha começado”. Foram eles que chamaram a polícia.
No cativeiro, Lindemberg telefonou para Paulo fingindo ser o irmão mais velho da ex e perguntou se eles estavam namorando. O episódio foi lembrado por Nayara durante o seu depoimento na segunda-feira.
Paulo pede as cartas e as fotos da amiga. Antes de guardá-las, fica em silêncio por minutos. Na televisão, notícias sobre o julgamento. “Ele queria matá-la. Sempre quis isso”, desabafa.
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