William morreu no colo de Maria Angélica (foto) a caminho do Pronto Socorro
O estudante William Borges do Nascimento, de 17 anos, foi morto em consequência de uma mordida no pescoço, neste sábado de madrugada, ao tentar ajudar a vizinha Maria Angélica dos Santos Céu, de 28, espancada pelo irmão, Adriano dos Santos Céu, de 26.
O agressor, que seria usuário de drogas, fugiu. Horas depois retornou ao bairro e levou uma surra de moradores. Só não morreu também porque policiais militares o resgataram.
A sequência de crimes começou na casa dos irmãos, na Rua Dr. Bernardino Gomes, 113, Vila Santista, Zona Norte. Segundo vizinhos, a PM foi chamada várias vezes, a partir das 3h15, mas só apareceu às 6h, quando o caso foi apresentado no 13 DP (Casa Verde).
“Só eu liguei 12 vezes para o Copom”, diz a dona de casa Cristina Silva, vizinha das vítimas. Ela conta que acordou com os gritos de Maria Angélica. “Ela pedia socorro e dizia ladrão, ladrão. Fui até lá e vi o rapaz batendo na irmã. Tentei tirá-la de lá, mas ele não largava. Voltei à rua e pedi ajuda ao William, que conversava com um amigo ali perto”, recorda-se.
Cristina diz que deixou a vizinha em sua casa e ao retornar já encontrou o adolescente na calçada, com olhos revirados.
Vizinhos levaram as duas vítimas ao Pronto-Socorro da Cachoeirinha, mas o rapaz já chegou morto. Segundo Maria Angélica, a confusão ocorreu porque surpreendeu o irmão furtando R$ 70 da sua bolsa.
“Estava saindo do banho e vi o Adriano com a minha bolsa. Mandei devolver o dinheiro e ele passou a me bater”, diz ela, que é garçonete de lanchonete.
No 13º DP, o caso foi registrado como lesão corporal seguido de morte e violência doméstica. Enquanto isso, Adriano chegava ao 20 DP como vítima de tentativa de linchamento. A irmã seguiu para lá com testemunhas. Mas ele foi liberado.
O pai de William, Wanderley Borges do Nascimento, está inconformado. “Que justiça é essa?”, indaga. A mãe do adolescente morreu havia oito meses.
COPOM / Em nota, a PM diz que recebeu uma ligação de desentendimento e uma viatura foi acionada automaticamente para o local. Porém, todos os carros, naquele momento, estavam atendendo outras ocorrências. “Os dados do cidadão que liga ao 190 são de extrema importância, principalmente para esclarecer o que de fato aconteceu, pois foi dito que era briga entre irmãos. A PM está apurando o atendimento e prima pela pronta resposta à população, utilizando-se de meios adequados e necessários a cada ocorrência”, diz a nota.
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