Neste sábado, completam quatro dias que uma adutora da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) se rompeu, deixando dois terços da cidade sem água. Desde então, a rotina da dona de casa Elvira Gonçalves da Silva, 56 anos, mudou.
Se antes, bastava abrir a torneira de sua casa no Jardim Paranavaí, hoje ela precisa caminhar 15 minutos ladeira abaixo, pegar fila e encher o galão de cinco litros numa bica. Uma tarefa que desde a quarta-feira ela executa várias vezes ao dia.“É uma situação muito ruim. Tenho problemas cardíacos, então não posso carregar muito peso. Estou com dor em tudo, mas não tenho opção, porque eu uso essa água para beber”, destacou.
Na região do Jardim Zaíra, a rotina de seus moradores agora é essa. Uma cena que lembra aquelas filas para conseguir água durante as secas da região Nordeste.
A bica da rua Jair Ballo, no Jardim Paranavaí, nada mas é do que um buraco no chão demarcado com concreto. A água, apesar de cristalina e inodora, não tem garantia alguma de ser limpa.“Está tudo péssimo. Com a falta de água, quem vende o garrafão está cobrando muito caro. Até R$ 10. Com isso não tem outro jeito. Cheguei a ficar uma hora na fila só para conseguir água”, afirmou a dona de casa Valquíria Aparecida da Silva, 46 anos.
Sem ter outra opção, quem podia vinha com o carro carregado de baldes, galões, garrafas PET. Tudo o que pudesse servir para armazenar líquido. Enchia e voltava para casa. Outros contavam com a solidariedade de amigos, parentes e vizinhos para não passar sede. Levavam a carga no braço.
Solidariedade/Na tarde desta sexta-feira (10), o estudante Robson Silva Gonzaga, 14 anos, já estava em sua quinta viagem à bica. Mas a sua pouca altura o colocava como o candidato perfeito para a tarefa de encher os baldes. Dele e dos vizinhos.“Todas as vezes que eu venho encher os meus baldes eu aproveito para ajudar as outras pessoas. Para mim, o mais difícil de tudo é carregar a água numa subida”, contou.
Chuva/A situação só não é pior porque as fortes chuvas dos últimos dias tem ajudado às famílias nessa época de falta d’água.
Este foi o caso da dona de casa Doralice Borges dos Santos, 45 anos. “Coloquei os baldes para fora é aproveitei a chuva para guardar água. Já utilizei até para tomar banho. Isso depois de ferver a água. Se precisar eu faço de novo”, afirmou Doralice.
Conserto na adutora rompida ainda não tem prazo para acabar
Na noite desta sexta-feira (10), a Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) informou em sua página na internet que pelo menos 40% da população da cidade teria o fornecimento de água normalizado até a madrugada deste sábado (11).
O restabelecimento parcial foi possível devido a utilização de uma rede auxiliar de abastecimento, capaz de abastecer em cerca de um terço da capacidade os reservatórios Magini e Zaíra, afetados pelo rompimento da adutora principal, na quarta-feira.
Reparo/Segundo a empresa, as chuvas dos últimos dias ainda atrapalham a realização do reparo. A manutenção na rede principal de água da Sama - localizada em uma área de difícil acesso no bairro do Capburgo - foi iniciado no mesmo dia do rompimento da tubulação.
O conserto chegou a ser finalizado na madrugada de ontem, mas poucas horas depois a tubulação voltou a apresentar problemas, devido a um novo deslizamento de terra, que destruiu também a estrada que dá acesso ao local.
Até a noite, as equipes da Sama ainda não tinham previsão para o término do reparo na adutora. A chuva da tarde atrapalhou os reparos na estrada, o que impediu o acesso à tubulação danificada.
Opinião/ Na opinião dos moradores do Jardim Paranavaí, a falta de manutenção na rede teria sido a causadora do problema.“A prefeitura sabe que pode dar problema nas tubulações de água, mas não faz uma manutenção preventiva. Aí acontece esse tipo de coisa. A gente tem que ficar atento a esse tipo de coisa na hora de votar”, destacou o autônomo Luiz Antônio Paula, 48 anos.
Outra reclamação dos moradores era o fato da administração municipal não ter enviado caminhões pipa para abastecer as casas. “Desse jeito as pessoas são obrigadas a utilizar água que muitas vezes não está limpa. Isso vai dar problemas”, opinou o operador de processos Carlos Alberto da Silva, 44 anos. “Quando a gente deixa de pagar a conta, eles cortam. E quando a falha é deles [Sama], como fica a nossa situação?”, questionou Silva.
Também em seu site, a autarquia de água e esgoto de Mauá informou que caminhões pipa foram enviados para atendimento de hospitais, unidades de saúde e creches da cidade.