Já fazem vários dias que a temperatura bate a casa dos 30°C na região. Nesta quinta-feira (9) mesmo, quem mora em Diadema teve que enfrentar um calor de 32°C. Mas chega uma hora em que só o ar condicionado não dá jeito. É nesse momento que os empresários de Santo André citados nessa reportagem fazem a festa.
O comerciante Isaac Moura Freitas, 31 anos, está à frente de uma sorveteria no Jardim Bela Vista há oito meses. Antes, vendia equipamentos de telefonia, e não se arrepende da mudança.
Se nos dias de temperaturas mais baixas circulam 80 pessoas pelo pequeno salão comercial, pouco maior que uma garagem, nos últimos dias esse número tem chegado a 120 clientes.
Nem as chuvas de verão – como a da tarde de ontem – são capazes de afastar os clientes. “Quando a temperatura sobe, as pessoas pensam menos para gastar. Bebem bastante suco e tomam bastante sorvete. O movimento fica tão grande que a gente não consegue nem descansar”, destacou. “É nessa época que a gente aproveita para trazer algumas novidades”, completou Freitas.
Família/ Em outro canto da cidade, no bairro Camilópolis, Vilma Ferreira Chaves, 38 anos, é a proprietária de outra sorveteria. Apesar do nome, porém, a casa pode se passar por uma espécie de lanchonete. Em seu cardápio estão itens como lanches e até caldo de mocotó. “Isso é para a gente poder sobreviver nos meses de frio”, contou.
Mas nos últimos dias, esses produtos estão longe de estar na lista dos mais vendidos. Nos últimos dias, o movimento de pessoas buscando sorvetes chegou a 120 pessoas.“Tem sido uma correria muito grande. Formou até uma fila na porta da sorveteria. Gente querendo além do sorvete, açaí. Nessas horas até o meu marido e a minha filha vem aqui para me ajudar”, afirmou.
Oração/ Há 13 anos, Francisco Wilba de Amorim, 61 anos, tem uma distribuidora de água mineral no bairro Utinga. Os estoques baixos davam uma ideia da demanda pelos seus produtos. Nesta quinta-feira (9), não paravam de aparecer pessoas dispostas a comprar um galão de água. O telefone não parava de tocar.“Até há alguns dias estava achando que iria passar por dificuldades. Apesar de ser verão, o tempo não firmava. Nesses últimos dias, melhorou bastante”, disse.
Segundo Amorim, os meses de calor são a oportunidade de fazer uma poupança para os meses mais frios. “As vendas nunca param, mas diminuem bastante, eu consigo faturar mesmo nos dias mais quentes.
Depois é orar para Deus para que o dinheiro seja suficiente para pagar as minhas contas durante o inverno”, contou.
Qualidade do ar vai de ‘má’ a ‘inadequada’ nas cidades da região
Das cinco estações de monitoramento da Cetesb no ABCD, três registraram poluição acima do permitido
Apesar das altas temperaturas dos últimos dias serem motivo de alegria para os empresários que lucram com o calor, como os empresários do início desta reportagem, o mesmo não pode ser dito por quem tem problemas respiratórios. O tempo seco tem sido o martírio para essas pessoas.
Mesmo com a forte chuva da tarde de ontem na região, das cinco estações de monitoramento da qualidade do ar instaladas pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), três (Diadema, Santo André - Capuava e São Caetano) apresentaram qualidade do ar inadequada e uma (Mauá) fechou o dia com má qualidade do ar.
“O problema não é o calor. O número de consultas médicas aumenta quando a umidade começa a cair”, destacou o médico e professor de pneumologia da Faculdade de Medicina do ABC, Adriano César Guazzelli.
“Pessoas que têm problemas respiratórios como a asma passam a manifestar sintomas como tosse e falta de ar. O mesmo acontece com aqueles que tem rinites e sinusites. A má qualidade do ar também pode desencadear problemas cardíacos”, explicou Guazzelli.
Mesmo na outra estação da Cetesb no ABCD (São Bernardo), a situação não era muito melhor. A qualidade do ar era considerada regular nesta quinta-feira. “Já nessa condição, é possivel sentir uma ardência nos olhos ou a garganta seca’. Com a qualidade regular, quem passa a ter problemas são as pessoas mais sensíveis, como crianças com problemas respiratórios e idosos”, explicou.
Para tentar amenizar os efeitos da má qualidade do ar, o médico recomenda algumas medidas simples. “Além de evitar exercícios físicos nos momentos de mais calor, o ideal é umidificar o ar. Manter toalhas molhadas e baldes cheios d’água pela casa. Além disso, para quem tem, é possivel fazer o uso dos vaporizadores de ar”, destacou.
Medições apontam ozônio como o principal vilão da atmosfera, nesta quinta-feira (9), no ABCD
Segundo a Cetesb, o poluente que atingiu níveis mais altos nas cidades da região ao longo do dia de ontem foi o ozônio.
O mesmo gás que protege o planeta dos raios solares pode causar problemas respiratórios e inclusive causar danos a plantas e árvores.
Nos níveis encontrados nesta quinta-feira (9) no ABCD, o ozônio poderia causar mal estar inclusive em pessoas que não possuem problemas respiratórios.
O principal responsável pelo aumento da concentração desse poluente na atmosfera é a fumaça produzida pelos automóveis. Ela reage com o oxigênio do ar e a luz do sol e acaba se transformando no gás tóxico.
Por esse motivo a Cetesb destaca que para os dias em que a qualidade do ar está em níveis regulares a recomendação é fazer o uso do transporte público e recorrer às caronas.
Em São Bernardo, o poluente com nível mais alto nesta quinta-feira foram os materiais particulados.