Todos os dias, a enfermeira Patrícia de Farias, 26 anos, fazia uma verdadeira viagem. Saía de Ribeirão Pires e levava mais de uma hora em um ônibus para chegar ao trabalho, em uma clínica médica no Edifício Senador, no Centro de São Bernardo. Mas na noite de segunda-feira (6), ela não voltou para casa. Foi vítima do desabamento enquanto trabalhava.
Ao longo desta terça-feira, cerca de 50 familiares acompanharam os trabalhos de busca por Patrícia em meio aos escombros no interior do edifício, que fica na avenida Índico.
Se no início o tom era de esperança, com o tempo os rostos otimistas começaram a dar lugar para as feições de aflição.
Primeiro foi o pai de Patrícia, o químico Deusdete Farias, 48 anos. A camiseta regata verde com o dizer “felicidade” contrastava com a seriedade no seu olhar. No início da tarde, já não queria mais falar com a imprensa. Em seguida, foram os outros parentes, que passaram a reagir com hostilidade aos jornalistas.
E no início da noite, quase 24h depois do desabamento, veio a notícia que ninguém gostaria de ouvir: o corpo de Patrícia havia sido encontrado no meio do entulho acumulado no subsolo do edifício. Foi a segunda vítima fatal da tragédia.
LIGAÇÃO
Segundo a padeira Andrea Mendes, 37 anos, tia de Patrícia, a enfermeira trabalhava no edifício há oito anos. No momento do acidente, faltavam cerca de 20 minutos para o fim do expediente.
O último contato que ela teve com a família foi às 17h de segunda-feira. Uma conversa rápida com o pai. “Ela não falou nada demais. Perguntou se estava tudo certo e avisou que iria retornar mais tarde”, destacou Andrea.
Mas ela não ligou. A família estranhou a demora. Foi quando ficaram sabendo do desabamento das lajes do Edifício Senador. “A gente viu o que aconteceu no Rio de Janeiro e nunca pensa que o mesmo pode se passar com a gente”, disse.
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