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23 MAIO
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08/02/2012 09:42

Vazamento pode ser culpado por desabamento

Polícia trabalha com hipótese de que vazamento mal reparado no último andar pode ter causado desabamento Evandro Enoshita/São Bernardo
evandroe@abcdebomdia.com.br

Um reparo mal feito em um vazamento na laje do último andar é visto pela Polícia Civil com o possível causa para a queda parcial das lajes do Edifício Senador, em São Bernardo, na noite desta segunda-feira (6). No desabamento do prédio de escritórios de 13 andares, duas pessoas morreram e seis ficaram feridas.

A informação foi dada pelo delegado titular do 1º DP de São Bernardo, Victor Vasconcelos Lutti. Ele acompanhou na tarde de ontem o trabalho dos peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil. A confirmação da causa, porém, deverá sair somente dentro de um mês, quando será divulgado o laudo sobre o desabamento.

Em nota, a prefeitura de São Bernardo informou que tanto o laudo de segurança quanto o do Corpo de Bombeiros estavam em dia, com vencimento previsto para julho e outubro deste ano, respectivamente.
 
ESPECULAÇÃO
De acordo com o coordenador da Divisão Técnica de Estruturas do Instituto de Engenharia, Nathan Jacobsen Leventhal, o excesso de peso é a provável causa da queda das lajes.

Para o engenheiro, a hipótese da sobrecarga da laje é a mais provável. “Com grande probabilidade, houve o rompimento da laje devido a uma carga muito concentrada em algum ponto da laje de cobertura”, disse Leventhal.

O que fazer
De acordo com Leventhal, a laje “avisa” quando está submetida a uma carga acima da que suporta. “Primeiro ela deforma, depois apresenta fissuras, daí deforma mais, as fissuras aumentam e finalmente ela cai. Mas isso demora, é possível notar bem antes da queda”, afirma.

A advogada especialista em condomínios Evelyn Roberta Gasparetto, autora do livro “Administrando Condomínios”, diz que é necessário avisar o síndico do prédio com urgência, caso alguém note uma deformação em seu teto. “Se o teto começar a deformar, é preciso avisar o síndico, que deve dar toda atenção à queixa. Se houver a suspeita de que o vizinho de cima está colocando peso de mais na laje, o síndico deve notificá-lo para que corrija a situação”, afirmou a advogada.

“Caso a pessoa não retire o excesso de peso, é preciso fazer fotografias do problema, além de um laudo com um engenheiro, e procurar um juiz, que concede uma ação de ‘obrigação de fazer’, que a pessoa tem que obedecer”, disse Evelyn. “Em casos extremos o juiz concede a ‘tutela antecipada’, em que é possível que o condomínio intervenha no apartamento”, conclui a advogada.
 
Investigações em todas as esferas
O Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) instaurou inquérito administrativo para identificar os engenheiros que realizaram trabalhos no prédio, a fim de apurar eventuais responsabilidades no episódio. Diretores da regional do Crea no ABCD estiveram no local e tiraram fotografias. A Polícia Civil  e a Polícia Científica também instauraram inquérito para investigar o acidente.
 
1972 é o ano em que o projeto do Edifício Senador foi aprovado pela prefeitura.

Ministério Público abre inquérito civil
A Promotoria de Habitação e Urbanismo de São Bernardo do Campo instaurou, nesta terça-feira (7), inquérito civil para apurar as causas do acidente ocorrido na noite de segunda-feira no Edifício Senador. O procedimento, aberto pela promotora de Justiça Rosangela Staurenghi, também vai apurar as responsabilidades pelo desabamento de lajes do prédio, que causou duas mortes.
 
REAÇÃO EM CADEIA
“A mecânica do acidente foi essa: a laje da cobertura desabou e arrastou as outras”, Nathan Jacobsen Leventhal, engenheiro

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