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23 MAIO
dia a dia
07/02/2012 22:08

Pressão na laje pode ter matado dois

Excesso de peso surge como hipóterese para o desabamento parcial de prédio em São Bernardo do Campo Fábio Pagotto/ Silvério Morais
fabio.pagotto@diariosp.com.br
Folhapress No desabamento uma criança de três anos e uma mulher de 25 anos morreram No desabamento uma criança de três anos e uma mulher de 25 anos morreram

O excesso de peso é a provável causa da queda parcial das lajes do Edifício Senador em São Bernardo do Campo, no ABC, de acordo o coordenador da Divisão Técnica de Estruturas do IE (Instituto de Engenharia), o engenheiro Nathan Jacobsen Leventhal.

No desabamento uma criança de três anos e uma mulher de 25 anos morreram. Seis pessoas ficaram feridas nos escombros. Até terça à noite mais de 350 toneladas de material tinham sido retiradas pelas equipes de resgate.

“Não há elementos suficientes ainda para saber exatamente o que aconteceu, mas a mecânica do acidente foi essa: a laje da cobertura desabou e arrastou as outras”, afirmou Leventhal.  “Com grande probabilidade, houve o rompimento da laje devido a uma carga muito concentrada em algum ponto da laje de cobertura”, disse.
Ele explicou ainda que esse  tipo de ruptura é típico de uma carga muito localizada, como uma caixa d'água muito grande ou uma perna de torre de comunicação.

A norma brasileira NBR 6120 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) diz que a laje da cobertura, ou forro, tem que suportar até 0.5 Kn (quilonewton) de pressão por metro quadrado, ou 51 kg. Uma laje de edifícios residenciais da área de dormitórios, sala, copa, cozinha e banheiro tem que suportar até 1,5 Kn por metro quadrado, ou 153 kg.
 
“Nos prédios mais modernos começaram a ser instalados equipamentos pesados nessas lajes como antenas, geradores de emergência e aparelhos de ar-condicionado, aumentando a sobrecarga em um piso cuja resistência não tinha essa finalidade”, explicou  Leventhal.
Já o presidente  do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) de São Paulo, o engenheiro Francisco Kurimori, acredita que além da sobrecarga no local, a deterioração da laje também pode ser responsável pela queda.

“Pode ter havido sobrecarga, ou algo pode ter sido colocado em cima daquele teto, ou ainda a laje superior pode ter caído por má conservação. O edifício foi construído há 40 anos e uma infiltração de água pode ter feito ruir a laje que derrubou demais em sequência”, afirmou.

O Crea instaurou processo administrativo para identificar os engenheiros que realizaram trabalhos no prédio para apurar eventuais responsabilidades no episódio. Diretores da regional do conselho no  ABC estiveram no local e tiraram fotografias. A Polícia Civil  e a Polícia Científica também instauraram inquérito.

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