Grávida de oito meses, Michele Cristina de Oliveira, 27 anos, escapou da morte nesta segunda-feira junto com o bebê que espera para o dia 24 - uma menininha de nome Vitória. Ela estava no ponto de ônibus na Vila Indaiá, em Várzea Paulista, aguardando um fretado da empresa Recall, em Jundiaí, onde trabalha, quando foi atingida duas vezes. Um mistério envolve o motivo do ataque.
Dois homens em uma moto pararam no local e o garupa atirou. O primeiro disparo atingiu o ombro esquerdo da mulher e a bala transpassou seu corpo. Por instinto, a jovem se virou rapidamente e levou um segundo tiro nas costas. Sangrando, ela só pensava no bebê de oito meses, que estava agitado em seu ventre.
O irmão de Michele, Leandro de Oliveira, 28, estava se arrumando para trabalhar quando foi avisado por um amigo que a viu ser baleada. “Saí correndo de casa e, quando cheguei no ponto, ela estava deitada, sangrando muito”, contou nesta segunda na porta do hospital. Ele ficou ao lado da irmã durante todo o tempo até o resgate chegar e contou que Michele estava assustada porque o bebê ficou agitado demais em sua barriga. “Ela nem comentou nada dos tiros, se estava doendo. Só pensava na nenê. Mas ela estava sangrando muito.”
Mistério / A mãe da moça, Maria Eliete de Olivera, diz que a filha é solteira e não tem desavença com ninguém. “Ela é super tranquila. Não tem problema com ninguém. E agora acontece uma coisa dessas. Estamos todos apavorados. Graças a Deus que ela e o bebê estão bem.”
Nesta segunda à tarde, a cunhada de Michele, Vanessa da Silva, 28, conversou com a vítima, mas também não tem ideia do que possa ter acontecido. “É difícil falar sobre a causa disso tudo. A polícia vai investigar, mas vamos aguardar para comentar alguma coisa. Mas ela está mais tranquila agora que sabe que não corre risco de perder a Vitória.”
Se antes já tinham cuidado com ela, agora, os familiares prometem redobrar a atenção. “Ela já está bastante cansada por causa do fim da gravidez. Agora, depois disso tudo, vamos dar mais atenção à ela”, garantiu o irmão. “A sorte é que nada de mais grave aconteceu e ela está se recuperando bem. Vamos torcer para a nenê nascer saudável.”
Bala fica / Como está próxima de ter o bebê, os médicos de Jundiaí, para onde foi trazida acharam melhor não retirar o projétil que está alojado próximo ao seu pulmão. A cirurgia foi descartada neste momento para não colocar em risco mãe e filha.
Até a noite desta segunda, Michele permanecia internada em observação no São Vicente, enquanto aguardava vaga no Hospital Santa Elisa para ser transferida.
Família se diz assustada com tanta violência em Várzea
Testemunhas disseram que Michele estava em ponto da rua Jataí, na Vila Indaiá, como de costume. Isso era por volta de 6h50 desta segunda. Dois colegas de trabalho estavam chegando para pegar o mesmo ônibus fretado, quando os homens na moto pararam ao lado dela. O garupa, que estava armado, apontou a arma em sua direção e disparou duas vezes. Não havia mais ninguém ali.
Um dos colegas gritou e os motociclistas fugiram em seguida.
Algumas pessoas que estavam em um comércio próximo correram em direção da mulher caída, enquanto outras foram em direção da casa da família Oliveira para avisar os parentes.
Michele foi socorrida por uma ambulância do SAU (Serviço de Atendimento de Urgência) de Várzea Paulista. Ela foi levada para o Hospital da Cidade, onde foi atendida pelos médicos. Alguns minutos depois foi transferida para o Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí, porque seu estado inspirava cuidados.
O caso foi registrado na Delegacia de Várzea como tentativa de homicídio. Investigadores conversaram com algumas testemunhas, mas os dados da moto não foram anotados.
A Polícia Civil espera que Michele saia logo do hospital para poder prestar esclarecimentos. Uma das hipóteses levantadas pelos policiais é de tentativa de roubo frustrada. O bandido que estava com a arma pode ter atirado sem querer, provocando os ferimentos e, assustados, fugiram em seguida.
Outra hipótese é de tentativa de execução, mas para confirmar essa suspeita os policiais querem primeiro conversar com a moça para saber se ela tem algum inimigo, ou desavença, ou até mesmo se há a possibilidade de crime passional.
A jovem ainda não tem previsão de alta e, por isso, o inquérito, por enquanto, deve continuar sem o depoimento dela.
Copyright Rede Bom Dia de Comunicações 2011. Todos os Direitos Reservados