Regina faz questão de lembrar que ela é da rua, da comunidade, da praia
Dentro de um pretinho básico e exibindo nos pés escarpins e nas mãos uma bolsa do megagrifado estilista Valentino, Regina Casé tenta provar que sua versatilidade não está apenas no discurso democrático de quem vai do asfalto ao morro, sem mudar a personalidade. Famosa por misturar estampas, acessórios superdiferentes e roupas que, em tese, não combinam entre si, a apresentadora do “Esquenta” se despe dos figurinos excêntricos que usa no palco e se diz bem básica às vezes.
“Gosto de estar de preto hoje, me vestir toda de estampado amanhã, usar branco num outro dia, ou uma roupa mexicana, indiana... Acho não só divertido como bonito. A liberdade é a coisa mais chique que tem”, afirma Regina, frequentadora assídua tanto da Saara (rua do Rio de Janeiro comparada à Rua 25 de Março, em São Paulo), quanto dos badalados endereços de compras no exterior: “Poder usar uma roupa da Saara e um terninho Armani e ser a mesma pessoa é tudo. É a mesma coisa que morar num condomínio no Leblon e subir a favela. Mas milhares de pessoas não fazem isso. E várias pessoas que moram na favela não têm coragem de entrar num shopping, numa loja chique. Mesmo quando eu não tinha dinheiro, ia em tudo que era loja, experimentava, olhava, perguntava quanto era. Era bem mal-tratada com essa cara de pobre!”
Dificilmente separada do estereótipo de “mulher do povo”, é frente a frente com a carioca, que fica claro de onde vem esse título. A todo momento, Regina faz questão de lembrar que ela é da rua, da comunidade, da praia... Uma pessoa sem frescuras. “No dia em que não puder ir à Saara, ao Engenhão ver o jogo, à feira, largo de ser artista no dia seguinte. Não ando com seguranças nem tenho carro com aquele troço preto no vidro. Ando na rua normalmente. Todo mundo vem em cima mesmo e, quando enche, grito: ‘ahhh!’. Pronto!”
‘Sou muuuuito patrulhada’
Com a boa repercussão do “Esquenta”, seu programa “de todas as tribos” na Globo, Regina vem experimentando um sucesso ainda maior do que aquele já conquistado com outros trabalhos como “TV Pirata”, “Programa Legal”, “Central da Periferia”, entre outros. E, nada discretos, seus modelitos são alvo de uma quantidade sem fim de fãs que a abordam nas ruas. “As pessoas acham que a Regina é espalhafatosa, que me visto em casa como apareço no Esquenta. E vice-versa. No programa falam ‘Ué, aonde ela vai assim?’. Parece que cheguei da rua daquele jeito e entrei no palco com aquela roupa, de Nem, ou do que for. E não é. Aquilo ali é figurino. Praticamente uma fantasia”, defende.
Dona de vários estilos, sustentados e exibidos ao longo dos seus 57 anos, Regina critica a ditadura do vestir. “Sinto um pouco de saudade de quando era adolescente. Lá nos anos 70, você tentava ir a uma festa da forma mais divertida possível. Acho que a roupa das pessoas, como a comida, a bebida e a música, faz a festa. E antigamente tinha muito isso. Você podia se vestir de um jeito mais louco sem ser patrulhado. Sempre fui muuuuito patrulhada! Com o passar do tempo, cada vez mais. Parece que agora o modelo da elegância virou uma coisa bege e o auge da ousadia e da alegria, um blazer salmão. Agora fala-se “salmon”, né?”, diverte-se a apresentadora.
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