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QUARTA-FEIRA
23 MAIO
viva
03/02/2012 22:16

Mancha Verde dá lição de humildade

Escola da torcida alviverde faz homenagem ao candomblé no último desfile do grupo especial de São Paulo Jussara Soares
jussara.soares@diariosp.com.br
Anastacia Vaz/ Diário SP Enredo é 'Pelas Mãos do Mensageiro do Axé a Lição de Odú Obará: a Humildade' Enredo é 'Pelas Mãos do Mensageiro do Axé a Lição de Odú Obará: a Humildade'

Uma homenagem ao candomblé e uma lição sem distinção de credo. É com este propósito que a Mancha Verde, a última escola a desfilar na sexta-feira, dia 17, entra na avenida, com o enredo “Pelas Mãos do Mensageiro do Axé a Lição de Odú Obará: a Humildade”.

A história baseia-se em Odú Obará, um dos 16 irmãos príncipes que simbolizam o jogo de búzios. Cada um deles tinha uma lição dada por Olorum, criador do mundo, para ensinar à humanidade. Segundo a lenda, Odú Obará era o mais pobre dos irmãos e rejeitado por eles.

“Em uma festa dada pelo mestre Olorum, os irmãos não convidaram Odú Obará. E o mestre os mandou embora, mas, antes, deu a eles abóboras. Com fome, os irmãos passaram na casa de Odú, que preparou a melhor comida que tinha em casa. Quando os irmãos foram embora, o único alimento que havia restado eram as abóboras. E, quando Odú as abriu, elas estavam cheias de joias. E ele se tornou o mais rico”, explica o carnavalesco Troy Orh.

O enredo da Mancha vai mostrar ainda a relação do candomblé com a natureza. A Comissão de Frente, por exemplo, explicará as ligações entre as propriedades dos orixás e os elementos da natureza.

Já o abre-alas fará uma leitura do mundo em destruição. Serão mostrados deslizamentos de terra, aquecimento do planeta, tsunamis e outras castástrofes causadas pela própria ação do homem. “Mas vamos trazer tudo colorido. Será uma destruição lúdica. Respeitaremos que é Carnaval e vamos entrar na brincadeira.”

A segunda alegoria, chamada de “Busca do Conhecimento”, faz uma menção à beleza do candomblé. E evidencia que é uma religião em busca de constante aprendizado. “As pessoas não sabem a beleza que o candomblé tem”, afirma o carnavalesco.

O príncipe Odú Obará – o príncipe humilde –  será homenageado na terceira alegoria. Uma encenação mostrará as duas fases da vida dele. O primeiro ato retrata o príncipe pobre e desprezado pelos irmãos. No segundo, ele vive em prosperidade. “O carro vai retratar o palacete dele, mas haverá pilastras de madeira. A riqueza dele era com humildade.”
“Riqueza de Olorum” é a quarta alegoria, uma das apostas de Troy para o Sambódromo. A novidade dele está em seu formato. A alegoria vai trazer figuras de Iemanjá, Obá, Xangô, Oxalá, entre outros.

Já o encerramento do desfile colocará em prática os ensimanamentos do candomblé e viabilizará o mundo imaginado por Olorum. “Será uma grande surpresa esse encerramento do nosso Carnaval”, promente o carnavaleco.

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