Oposição diz que o governo permitiu a tragédia como forma de vingança
Uma briga generalizada durante uma partida de futebol no Egito terminou em tragédia e com saldo de 74 mortos e 188 feridos. Os números estavam sendo atualizados pelas autoridades do país e essa foi a última parcial divulgada, por volta de 22h desta quarta.
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A guerra aconteceu no jogo entre Al-Masri e Al-Ahly, pelo campeonato nacional, e começou quando os torcedores do Al-Masri, que venceu por 3 a 1, invadiram o campo para agredir jogadores e membros da comissão técnica rival.
Para o partido egípcio Irmandade Muçulmana, o atual comando quis punir a população que se revoltou contra o ex-presidente Hosni Mubarak, deposto há um ano.
"Os eventos de Port Said foram premeditados e são um recado dos partidários do antigo regime", afirmou o deputado Essam al-Erian.
Desde que Mubarak caiu em levante popular, o Egito é comandado por um conselho militar - os militares são simpatizantes do ex-presidente. Para a Irmandande, o governo permitiu a tragédia como forma de vingança pela rebeldia da população.
“Isso confirma que há um planejamento invisível que está por trás deste massacre injustificado. As autoridades têm sido negligentes. Tememos que alguns oficiais estejam punindo as pessoas por sua revolução e por privá-los de sua capacidade de agir como tiranos e restringindo seus privilégios", acrescentou Hosni.
Segundo os atletas, o policiamento era insuficiente e não tentou conter a ação de quem vinha da arquibancada. Em menor número, os torcedores do Al-Ahly também foram encurralados no setor em que estavam. Pedras, fogos de artifício e garrafas foram utilizados para agredir os rivais. As Forças Armadas egípcias foram acionadas para tentar acabar com a confusão e transportar feridos da cidade para a capital do país, o Cairo. Mohamed Abou-Trika, jogador do Al-Ahly, no entanto, disse que não houve segurança. “Eles não nos protegeram. Um torcedor morreu no vestiário na minha frente. É culpa nossa, porque jogamos esse jogo.
As autoridades estão com medo de cancelar o campeonato, porque só pensam em dinheiro”, disse. Joseph Blatter, presidente da Fifa, emitiu um comunicado dizendo que se tratava de “um dia negro para o futebol”.
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