A ideia de pedir para que a população separe os materiais recicláveis e leve para ecopontos é boa. Teoricamente, dali os materiais devem seguir para cooperativas de catadores que irão gerar emprego e renda a partir do que foi descartado por moradores. Em Mauá, porém, os ecopontos se tornaram mini lixões, nos quais as pessoas levam qualquer tipo de lixo sem serem impedidas.
O ecoponto do Jardim Santa Lídia, que fica embaixo do Viaduto da Saudade, não possui qualquer tipo de identificação sobre a função destinada ao local. Também não há nenhum tipo de informativo sobre o tipo de material que a população pode deixar. De reciclável a reportagem do BOM DIA não encontrou nada. Apenas foi possível observar grande quantidade de lixo ao redor e atrás do ecoponto.
Existem pneus do lado de fora do posto que estão cheios de água, ou seja, além de estarem em local inadequado se tornaram foco de reprodução do mosquito transmissor da Dengue, o Aedes aegypti. A funcionária da prefeitura que trabalha no local afirmou que avisa as pessoas para não jogarem determinados tipos de lixo, mas como a população não a escuta “não pode fazer nada”. Ainda segundo ela, que não quis se identificar, não há problema que joguem qualquer coisa porque o que ela quer é, no fim do mês, receber o salário.
Em abandono total também está o ecoponto da rua Dolores Dura, no Jardim Sônia Maria. A cabine que deveria abrigar algum funcionário da prefeitura foi incendiada. Hoje, a guarita serve apenas como abrigo para usuários de drogas e moradores de rua. Dentro há colchões, cápsulas e fezes.
O posto se tornou um mini lixão no qual há de tudo. Colchões, resíduos industriais, vasos sanitários, carcaças de uma lavadora, material oriundo de podas de árvores e grande quantidade de madeira. Também há muitos pneus e objetos com água parada. Durante a permanência da reportagem dois homens encostaram com um carro cheio de lixo e disseram que conheciam o lugar como “bota fora” já que todos jogavam tudo o que queriam no local.
Indignação
O presidente da AECOMACC (Associação Ecológica de Mauá e Cidades Circunvizinhas), Nilton Santos, acompanha há um ano o trabalho desenvolvido nos ecopontos da cidade. Para ele falta qualificação nas pessoas que trabalham nestes locais e informação para a prefeitura. “As pessoas jogam lixo sem qualquer conhecimento. Deveria haver uma campanha forte.”
Secretário não fala sobre problemas
Mesmo após ter insistido por várias oportunidades BOM DIA não foi atendido pelo chefe da Pasta de Meio Ambiente da cidade
Mesmo após ter sido contato insistentemente através da assessoria de imprensa da prefeitura, o secretário de Meio Ambiente de Mauá, José Afonso Pereira, não falou com o BOM DIA sobre o problema nos ecopontos da cidade.
A Central de Triagem de Materiais Recicláveis, bancada pela indústria petroquímica Braskem, tem previsão para ser inaugurada ainda neste semestre e deve contribuir para avanços no setor. No entanto, para que a logística do projeto funcione os ecopontos deveriam cumprir o papel de receber e separar adequadamente os materiais.
Por meio de nota, a prefeitura de Mauá informou que “realiza diariamente coleta dos resíduos não recicláveis nos ecopontos da cidade. A Secretaria de Serviços Urbanos faz ainda triagem dos materiais para a destinação correta.” Ainda segundo a nota, “a maioria dos materiais recicláveis é coletada pelas cooperativas de catadores da cidade.”
Mauá tem duas cooperativas de materiais recicláveis, e anualmente são recolhidas cerca de 600 toneladas de resíduos por ano. A prefeitura finalizou a nota lembrando os moradores que os ecopontos são destinados ao despejo de entulho e de materiais recicláveis, e não de lixo doméstico.
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