Morar em São Paulo – que acaba de comemorar os 458 anos– é um desafio para a saúde, para a paciência e também para o bolso. Segundo um levantamento do FMI (Fundo Monetário Internacional), o custo de vida por aqui já é maior do que em alguns países de primeiro mundo, como os Estados Unidos.
Um levantamento feito no ano passado pela consultoria Mercer apontou que São Paulo é a cidade mais cara para se viver nas Américas. A capital paulista subiu onze posições em relação ao ranking de 2010 e agora está na décima posição no mundo. São Paulo aparece à frente de cidades como Nova York, Londres e Paris.
Achou ruim? Pois saiba que em 2011 o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede o aumento de preços para famílias com renda de até seis salários mínimos, foi o terceiro maior do país em São Paulo, com variação de 6,34%, contra uma média nacional de 6,08%
Segundo o professor de finanças da Escola de Economia da FGV-SP, Samy Dana, um conjunto de fatores explica o alto custo de vida. “Recentemente a população brasileira aumentou o poder de compra e São Paulo foi uma das cidades mais beneficiadas. Nós temos uma tradição no Brasil de margem de lucro muito alta. A impressão é de que os bancos ganham muito dinheiro, mas no meu entendimento não são apenas os bancos. Os serviços em geral são caros. Vários custos são exagerados”, diz.
Bolha/ Um exemplo, segundo o economista, está no preço da moradia, que disparou nos últimos anos. “Os imóveis estão em uma bolha imobiliária. A pessoa está pagando muito porque acha que amanhã o bem vai valer ainda mais. No caso do financiamento, o brasileiro ainda olha para a parcela que cabe no bolso e não se os juros cobrados estão altos ou não”, afirma.
Outra notícia ruim. A cesta básica em São Paulo também é a mais alta do país. Custa R$ 277,27, segundo levantamento do Dieese. O valor é 52% maior do que o encontrado em Aracajú (a mais barata entre as 17 capitais pesquisadas). O morador de lá paga, na mesma cesta básica, apenas R$ 182,22.
Gasta-se mais aqui do que nos Estados Unidos também ao se adquirir bens duráveis, como carro e eletroeletrônicos. “Têm setores que a diferença de preços é muito grande (entre os dois países), principalmente a carga tributária aqui é alta. É o caso dos automóveis. O mesmo modelo vendido no Brasil e nos EUA custa o dobro do preço aqui e, às vezes, até mais do que isso”, diz o economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios.
Copyright Rede Bom Dia de Comunicações 2011. Todos os Direitos Reservados