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23 MAIO
dia a dia
15/01/2012 21:17

Nova ‘Cracolândia’ nasce em escolas abandonadas

Prédios das Emef Clóvis Graciano e Emei Vicente Paulo da Silva viraram pontos de tráfico de drogas Renata Gama
renata.gama@diariosp.com.br

Aquele tipo de problema que, quando se demora para resolver, ganha novas e maiores proporções é bastante conhecido pelos moradores da Rua Mendonça Jr, 60, em Cachoeirinha, na Zona Norte. Da morosidade do poder público para decidir o que fazer com os prédios de duas escolas municipais desativadas nasceu  o que por ali agora se chama de “Nova Cracolândia”.

“Aqui é mais uma Cracolândia”, lamenta o comerciante vizinho Amaury da Silva. “Virou um antro de prostituição, drogados, esconderijo de bandidos”, descreve.

Há um ano, a estrutura das antigas Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Clóvis Graciano  e Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Vicente Paulo da Silva está abandonada. A descoberta de gás metano no solo foi a razão para a desativação dos equipamentos. O fechamento foi determinado por decreto do prefeito Gilberto Kassab, em 2 de outubro de 2009. Mas somente no início do ano letivo de 2010  foi concluído, com  a transferência das cerca de 1,2 mil crianças para a Emef Prof. Gilberto Dupas, na Vila Nova Cachoeirinha, também Zona Norte. Enquanto as crianças não eram removidas dali, segundo a Secretaria Municipal de Educação, foram realizados monitoramentos da emissões de gases para evitar riscos.

Mas o que hoje  tira a paz da vizinhança não é mais a contaminação do terreno e sim a insegurança que o abandono do local provoca. Dominadas por invasores, as áreas externa e interna formam um cenário de depredação com janelas quebradas, quadras destruídas e paredes  pichadas, tudo cheio de lixo e mato alto. O DIÁRIO tentou entrar no local, mas foi expulso pelos ocupantes. 

“A gente vive de porta fechada”, relata a moradora Alaíde Mendes Borges, que vive há 40 anos numa casa em frente ao local onde funcionavam as escolas. Por medo de assaltos, ela instalou duas câmeras. Por elas, a moradora vigia o movimento em frente à sua residência.

“Fechou por segurança? Tudo bem. Mas vai largar? Tem de dar um jeito nisso. Como lá no Shopping Center Norte resolveu e aqui não resolveu?”, questiona o morador Antonio Faustino, mencionando o caso da contaminação do solo que provocou a interdição do centro de compras ano passado por uma razão semelhante. 

Essas questões, no entanto,  nem a Secretaria Municipal de Educação nem a Prefeitura responderam. Procuradas,  secretaria e Prefeitura informaram apenas, em uma nota unificada, que “a Prefeitura estuda a destinação do prédio da Escola Municipal de Ensino Fundamental Clóvis Graciano. A unidade escolar foi extinta em 2009. Todos os alunos e professores e funcionários foram transferidos no ano seguinte para a recém-inaugurada Emef Prof. Gilberto Dupas, na mesma região.”  Os demais questionamentos da reportagem sobre a falta de vigilância do espaço e sobre se o problema da contaminação está resolvido foram ignorados.

Por “estuda a destinação”, explicou a assessoria de imprensa da secretaria por telefone, entende-se que o terreno pode ser transferido de pasta, mas ainda não há definição, nem prazo.  O terreno consta na lista de Áreas Contaminadas Críticas da Cetesb, que também não informou se o procedimento necessário para a descontaminação foi realizado.

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