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Filhas estão em busca da chacrete perdida

'Quero poder abraçar minha mãe', disse a atendente Ana Carolina de Oliveira

'Quero poder abraçar minha mãe', disse a atendente Ana Carolina de Oliveira / Mario Palhares/ Diário SP

Elas procuram por Marli Bang Bang, que foi para Portugal há 27 anos e desde 1998 não dá notícias

Por: Diário de S. Paulo
08/02/2014 21:45

POR: Eduardo Athayde 
eduardo.athayde@diariosp.com.br

Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, maio de 1987. Nessa data, a supervisora administrativa Mariana Cristina da Silva, de 36 anos, viu pela última vez a mãe Cirlene da Silva, mais conhecida como Marli Bang Bang, ex-chacrete, hoje com 56 anos.

A dançarina seguia rumo a Portugal junto com uma equipe do apresentador Bolinha (1936-1998), com quem também trabalhou na TV Bandeirantes. Mas seu ápice profissional foi no final da década de 1970, quando abrilhantava os palcos dos programas apresentados por Chacrinha (1937-1988).

“Lembro-me como se o embarque fosse hoje. Ela pediu para eu respeitar minha avó (mãe da Marli Bang Bang) e, em breve, voltaria. Mas se passaram 27 anos e ela não voltou”, lamentou Mariana, enquanto segurava uma foto de sua mãe na sala de sua casa, em Osasco.  “Tinha três caixas lotadas de retratos dela. Mas, com o passar do tempo, muitas se deterioraram. Atualmente, tenho apenas uma caixa”, disse. 

Além de Mariana, Marli Bang Bang deixou mais uma filha no Brasil, a atendente Ana Carolina Lopes de Oliveira, de 27 anos. Quando a ex-chacrete foi para a Europa, Ana tinha um ano de idade. “Como a Ana era uma bebê, eu era a única filha que conversava com minha mãe”, lembra Mariana. 

A última notícia que  teve da mãe foi em 1998. “De 1987 a 1998, ela nos ligava de vez em quando. Às vezes, falava com a Ana, mas ela era ainda muito criança. Algumas vezes dizia que nos levaria para passar férias em Portugal. Ficávamos super entusiasmadas. Mas, de repente, ela sumia e nossa ida a Portugal não se tornava realidade. Até que em 1998 ela sumiu de vez. Nunca mais ligou. Na última ligação ela disse que estava indo para a França e  tinha se casado novamente.”

Marli Bang Bang justificava sua ausência alegando que estava trabalhando. Nos primeiros anos do sumiço, a ex-chacrete mandava dinheiro para as filhas.
Do último contato para cá, foram diversas tentativas de encontrar Marli Bang Bang.

“Procurei programas de TV. A produção do Gugu chegou a mostrar interesse. Mas foi bem no momento da transferência dele do SBT para a Record. Com a mudança de emissora, eles nunca mais entraram em contato”. Segundo Mariana, alguns amigos prometeram procurar a Polícia Federal, a Interpol (Polícia Internacional). Nada ajudou.

O maior sonho de Mariana e Ana Carolina é o de que a ex-chacrete conheça os quatro netos.. “Será uma emoção inexplicável. Tenho duas filhas lindas. Minha irmã tem mais um casal de filhos lindos. Nada me faria mais feliz do que minha mãe conhecê-los”, diz  a filha da Chacrete. 

Cartas mostram que chacrete estava no interior de Portugal

A pista mais contundente do paradeiro da ex-chacrete Marli Bang Bang é o endereço de duas cartas que ela escreveu nos anos 1990 às filhas Mariana e Ana Carolina. Cada uma das duas correspondências têm um endereço diferente. Uma delas foi remetida da Rua Misericórdia, número 24, de um vilarejo português chamado Colorico da Beira, localizado a 334 quilômetros de Lisboa. Com 7,6 mil habitantes, o local é conhecido por sua arquitetura medieval.

A outra carta foi postada na cidade de Pombal, município português de 55 mil habitantes fundado no ano de 1.174. O endereço é a Rua Professor Gonçalves Figueira, 47, “Essas são as únicas pistas que temos. Quem sabe alguma pessoa que more nessas cidades ou que tenha familiares nelas saiba onde está minha mãe ou, ao menos, o que aconteceu com ela", disse Mariana. Marli Bang Bang foi adotada aos seis anos de idade. Seu último casamento no Brasil foi conturbado, segundo Mariana.

“Eu e a Ana somos irmãs por parte de mãe. Meu padrasto batia muito na minha mãe. Era muito violento. Acho que esse foi um dos motivos dela não ter voltado ao Brasil”, acredita Mariana.

Quem foi Chacrinha?
Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha, é considerado, ao lado de Silvio Santos, o maior ícone da TV brasileira. Em 1956 estreou na TV com o programa “Rancho Alegre”, na TV Tupi. Em seguida foi para a TV Rio e, em 1970, acabou contratado pela Rede Globo. Chegou a fazer dois programas semanais: “Buzina do Chacrinha” e “Discoteca do Chacrinha”. Dois anos depois voltou para a Tupi. Em 1978 transferiu-se para a TV Bandeirantes e, em 1982, retornou à Globo. 

500 
chacretes passaram pelo programa do Chacrinha 



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