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Prostituição livre na Praça da República

A situação do local mete medo na população

A situação do local mete medo na população / Hilton de Souza / Diário SP

O espaço público que homenageia a história do Brasil se degrada em pleno coração de São Paulo

Por: Diário de S. Paulo
14/11/2013 22:50

POR: Eduardo Athayde 
eduardo.athayde@diariosp.com.br

Esta sexta é feriado nacional para comemorar os 124 anos da proclamação da República, sistema político que substituiu a monarquia brasileira. 

No entanto, a Praça da República, no Centro, um dos principais cartões-postais de São Paulo, que leva o nome em homenagem à data, não tem muito o que comemorar. Ao contrário.

A situação do local mete medo na população. A presença de traficantes, travestis e garotos de programa é uma realidade que não se incomoda em aparecer em plena luz do dia. 

Na quinta, eram 15h quando o DIÁRIO esteve na praça. Menos de cinco minutos de caminhada e um grupo de travestis foi  avistado no miolo do espaço, a  parte mais crítica do local. 

“Aqui (Praça da República) não é lugar para família porque vende-se sexo 24 horas por dia”, disse a travesti Mayanna, de 21 anos. Ela é de Macapá  e está em São Paulo há cerca de um mês. Apesar do pouco tempo em terras paulistanas, já sabe que a Praça da República é um prostíbulo a céu aberto. “Cobramos R$ 50 pelo programa, que é feito em cabines ou em motéis aqui  perto”, completou a travesti Carol, 24.

Garotos de programa também são vistos aos montes. Ricardo, 23, estava na Praça da República havia cerca de uma hora e meia e ainda não tinha conseguido um cliente. “Mas logo aparece um. Depois que as autoridades começaram a ficar mais em cima do Autorama (ponto de prostituição masculina no Parque do Ibirapuera, Zona Sul) os garotos de programa passaram a vir com mais frequência à República”, disse.

A presença de traficantes e usuários de drogas ocorre em paralelo ao comércio sexual. O DIÁRIO não flagrou a venda de entorpecente, porém o cheiro de maconha podia ser sentido. Entre janeiro e setembro deste ano foram apreendidos na praça 16 quilos de drogas, segundo a PM.

coreto abandonado/ O coreto da República, um dos mais tradicionais símbolos da praça, está abandonado. O local, que já foi palco de grandes performances musicais,  tornou-se a “casa” de moradores de rua, que tratam o local como se fosse propriedade particular. “E pensar que a República foi um dos pontos  mais 'família' de São Paulo”, constatou, decepcionado, o advogado Laudelino Veiga Filho, de 69 anos.

Entrevista com Supla, cantor, morador da região, Supla pede bom senso a travestis

Algumas celebridades resolveram morar nas imediações da Praça da República, no Centro de São Paulo, devido à praticidade da região, com transporte público em abundância e extensa variedade de comércio. Um exemplo é o cantor Supla. O DIÁRIO falou com ele sobre as condições da praça.              

DIÁRIO_ Na quinta, no meio da tarde, o DIÁRIO encontrou vários travestis e garotos de programa se prostituindo na Praça da República, além do uso de maconha. Você se incomoda por morar próximo de um local deteriorado?

SUPLA_ É preciso haver bom senso. Não dá para proibir ninguém de andar na rua, de ficar na praça. Por outro lado, é preciso que os travestis e garotos de programa saibam se comportar. É claro que ver alguém transando na praça ou com roupas totalmente fora dos padrões pode incomodar. O eixo é o bom senso.

O coreto da praça está tomado por moradores de rua...
O Centro de todas as grandes cidades mundiais sofre com o problema da mendicância, dos moradores de rua. Não é uma exclusividade de São Paulo. Repito: não dá para proibir ninguém de andar na rua. O direito de ir e vir é uma garantia legal.

Por que você decidiu morar perto da Praça da República?
Porque o apartamento é superespaçoso. Não se fazem mais apartamentos assim. E também porque é uma região com comércio abundante, muitos 24 horas. Faz cerca de seis anos que moro perto da República.

PM e Prefeitura afirmam atuar no local diariamente

Em nota, a Polícia Militar informou que realiza o policiamento ostensivo preventivo na Praça da República por meio de diversos  programas de policiamento, entre eles o radiopatrulhamento, Base Comunitária de Segurança, policiamento a pé e policiamento com uso de bicicleta. No local há ainda  uma Base Comunitária Móvel de Segurança, que trabalha 24 horas por dia, disse a PM.

Também em nota, a Prefeitura disse atuar “junto ao morador em situação de rua para que ele retorne ao convívio familiar e da comunidade”. A nota afirma que diariamente orientadores do Serviço Especializado de Abordagem Social procuram esses moradores para identificá-los e encaminhá-los à rede de proteção social, como centros de acolhida, Cras (Centro de Referência de Assistência Social), Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), serviços de acolhimento institucional  e espaços de convivência e saúde.

Já a  Guarda Civil Metropolitana explicou que “mantém diariamente uma Base Móvel com quatro GCMs na Praça da República, das 8h às 18h. “No período noturno, há rondas efetuadas por equipes motorizadas”, garante a guarda.
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