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Tiro acidental com arma de PM mata criança

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PM era padrasto do menino. Polícia vai tentar descobrir se garoto atirou nele mesmo ou primo o fez

Por: Eduardo Athayde / Especial para o DIÁRIO
10/06/2013 12:11

O menino J.C.M.T., de cinco anos, morreu com um tiro no rosto vindo da arma de um tenente-coronel da Polícia Militar, no sábado à noite. O disparo ocorreu dentro da casa do policial, em Parelheiros, na Zona Sul da capital paulista. Ele é casado com a mãe da criança e os três moravam juntos.

O garoto chegou a ser socorrido a um hospital da região. O oficial estava na residência no momento do disparo. A arma, uma pistola.40, é da PM.  

Em entrevista ao DIÁRIO, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Benedito Roberto Meira, disse haver duas possibilidades para a tragédia.

A primeira, e a mais provável segundo Meira, é a de que o tiro tenha sido efetuado pelo primo de J.C., um adolescente de 15 anos. “Essa versão diz que o garoto estava no colo do primo. O rapaz manuseava a arma, que teria sido disparada pelo jovem, sem intenção”, afirmou o comandante. Esse adolescente foi a primeira pessoa a socorrer a criança e aparecer com ela nos braços, já ferida. 

A segunda hipótese é a de que o próprio garoto tenha acionado o gatilho da pistola enquanto “brincava” com a arma. “Eu acho essa possibilidade menos viável. Dificilmente uma criança de cinco anos teria habilidade para manusear uma arma e força para apertar o gatilho”, disse Meira.

Perícia/ Segundo o comandante, se o adolescente não assumir o tiro, vai ser feito exame residuográfico nas mãos do jovem para saber se há vestígios de pólvora. “Abriremos sindicância de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, para saber o que de fato aconteceu”, disse Meira.
A Polícia Civil também investiga o caso. O nome do PM não foi divulgado. Ele está na corporação há 32 anos e tem cerca de 50 anos.

Família de menino evita comentar  sobre tragédia
J.C. foi enterrado no fim da tarde deste domingo no Cemitério Alphacampus, em Jandira, Grande SP. A reportagem do DIÁRIO foi recebida com clima de hostilidade durante o enterro. Os familiares exigiram a retirada da equipe e não quiseram falar sobre o ocorrido.

Segundo o comandante-geral da PM, Benedito Roberto Meira, o tenente-coronel passará por uma avaliação psicológica para saber se tem condições emocionais de continuar trabalhando. Caso os testes apontem positivamente, o oficial vai ser afastado até se recuperar do trauma.

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