Chegou a vez de Gabigol no Santos

Atcante está sendo preparado desde os 8 anos de idade para seguir os passos de Pelé, Robinho e Neymar


Gabigol comemora gol do Santos. Menino de 16 anos é tratado como joia rara / Divulgação



Se as expectativas da diretoria santista se confirmarem, o substituto de Neymar já está na Vila Belmiro. E há longos oito anos. Trata-se de Gabigol, centroavante  tratado como joia rara há pelo menos quatro temporadas.

“Mesmo antes de passar para o time profissional, o Gabigol já tinha um salário maior do que o de qualquer jogador dos clubes do interior que disputaram o Paulistão”, revela Wagner Ribeiro, agente do atacante e também de Neymar.

Na Vila Belmiro, especula-se que Gabigol está embolsando hoje mais de R$ 80 mil por mês apenas de salário. A bolada se justifica: com o alto salário, o clube conseguiu estabelecer uma multa rescisória de R$ 130 milhões, prevenindo-se de ataques dos estrangeiros.

As comparações com Neymar são inevitáveis na Vila Belmiro. E Gabigol leva a melhor sobre o astro em alguns itens, como a idade da estreia pelo time profissional. O menino de São Bernardo do Campo fez sua primeira aparição em uma partida oficial no domingo, com 16 anos e oito meses. Já Neymar  estreou com 17 anos e 29 dias, em 2009, no Paulistão.

Dedo do Zito/ Gabriel Barbosa, como também é chamado, foi descoberto pelo Santos por meio de Zito, ídolo alvinegro das décadas de 1950 e 60. O centroavante canhoto, então com 8 anos, defendia o São Paulo e arrebentou em uma partida de futsal contra o Peixe.

Dias depois, Gabigol se mudou com os pais, Lindalva e Valdemir, para a Baixada Santista. Hoje, ambos vivem apenas em função do filho, frequentador assíduo da seleção brasileira desde os 14 anos. Tem, inclusive, o título do Sul-Americano Sub-15, realizado no Uruguai, ano passado.

O mercado publicitário também já aposta alto na mais nova promessa alvinegra. Gabigol é garoto-propaganda da Nike e da Gatorade. Neste ano, por exemplo, esteve em uma ação de marketing ao lado de ninguém menos do que Usain Bolt. O homem mais rápido do mundo e Gabigol jogaram futevôlei na praia de Copacabana.

Santos tenta vetar o apelido e proíbe garoto de dar entrevista
Preocupado com o recente assédio sobre Gabigol, o Santos tem recusado todos os pedidos de entrevistas exclusivas com o garoto. Desde que subiu para o time profissional, semanas atrás, ele só pôde se pronunciar na saída do gramado do Estádio Mané Garrincha, no domingo, após estrear como profissional — entrou aos 23 minutos do segundo tempo no empate por 0 a 0 com o Flamengo, em Brasília.

Até os pais do centroavante foram orientados a não falar. Nesta segunda-feira, por exemplo, o DIÁRIO entrou em contato com dona Lindalva por telefone. Depois de responder a algumas perguntas, ela disse que só poderia falar mediante agendamento com a assessoria de imprensa particular do jogador. Porém, após insistentes pedidos, veio a notícia de que os pais de Gabigol não falariam.

Até Tata, auxiliar técnico de Muricy Ramalho, fugiu do tema. “Todo mundo está falando demais do Gabriel. É melhor deixá-lo quietinho”, disse.

Existe a preocupação de que Gabigol se exponha demais e sofra com a responsabilidade de substituir Neymar. “Ninguém vai ser o novo Neymar. Ele é único no Santos. Eu quero procurar meu espaço, fazer gols e ajudar”, comentou o garoto.

O Santos também está fazendo o possível e o impossível para que o apelido de Gabigol desapareça. A intenção é de que ele seja conhecido como Gabriel ou Gabriel Barbosa.

O mais curioso é que o apelido de Gabigol o acompanha há anos e tem relação com as repetidas artilharias conquistadas ao longo de sua passagem pelas categorias de base.