Eu jogo todos os jogos como se fossem os últimos, avisa Sheik
“Não encosta em mim! Não coloca a sua mão em mim!” A frase é de Emerson, encarando o argentino Erviti, no primeiro jogo da final da Libertadores, na quarta-feira. O corintiano acabara de sofrer a falta e o rival o peitava, para pressioná-lo em plena Bombonera.
Não deu certo. Emerson não se sentiu acuado. Pelo contrário. Continuou enfrentando e sofrendo com a marcação xeneize. A resposta veio na bola, quando, aos 40 do segundo tempo, tirou Schiavi do lance e deixou Romarinho na cara do gol para que o garoto de 21 anos empatasse a partida.
Jogadores driblam torcedores no aeroporto
Ao sair de campo, Emerson falou como se sentia. E, mais, como acha que tinha de ser a postura, mesmo em território hostil, como o estádio em Buenos Aires. “Não dá para ficar só ouvindo o jogo inteiro, não. Uma hora, tem de responder, tem de enfrentar os caras. Eu não vou ficar quieto mesmo.”
Esse é o Sheik, em sua plenitude. O atacante vem chamando a responsabilidade, dentro e fora de campo, na participação alvinegra na competição continental deste ano. Nas entrevistas, enfatiza, cada vez mais, que os jogos nos quais mais gosta de aparecer são, justamente, esses decisivos. E que não vai sentir a pressão por causa disso. “Sou de Nova Iguaçu, sou favelado. Não tenho medo de nada”, disse, também na quarta-feira.
De fato, Emerson parece estar lidando bem com a pressão. Contra o Boca, alguns dos companheiros dele mostravam tensão quando foram ao gramado da Bombonera antes do início da partida, para o aquecimento. O camisa 11 estava tranquilo. Foi xingado pela torcida, como já havia acontecido na Vila Belmiro, contra o Santos. Assim como na Baixada, reagiu sorrindo e com embaixadas. No campo, foi responsável direto pelo resultado a favor do Corinthians — contra o Peixe, marcou um golaço.
Na capital argentina, parecia estar no quintal de casa. Depois da partida, deixou o vestiário sorrindo. Carregava nas mãos um aparelho de MP3 e uma caixinha de som ligada a ele. O som era um funk, bem alto, até provocativo, cujo volume ele só diminuiu quando encostou na área reservada aos jornalistas para falar sobre a partida.
E não poupou ninguém (leia as frases abaixo). Criticou Riquelme. Revelou atos de deslealdade de Roncaglia, autor do gol do rival. Até admitiu que o empate, pelas circunstâncias, não foi ruim, mas disse que não era bem isso que ele esperava.
O Sheik só não fez aquilo que mais queria: ficar mano a mano com Schiavi, zagueiro de 39 anos. “O Emerson chora para ficar nesse um contra um. Eu sempre falo para ele cair para dentro, mesmo, e ele adora essas coisas. Ele tem muita audácia e não costuma sentir o jogo”, comentou Tite.
Fala, Sheik!
“Riquelme tem de falar menos e jogar mais. Quem vive de boca é cantor. Eu vivo dos pés. Ele é um craque, mas fala demais”
“Esse Roncaglia é um babaca, ficou provocando o jogo inteiro. Levei umas duas ou trêscusparadas”
“Sou de Nova Iguaçu, sou favelado, não ia pipocar aqui (em La Bombonera). Com todo respeito ao Boca e ao estádio, mas
eu não tenho medo de ninguém, quem me conhece sabe muito bem disso. Eu jogo todos os jogos como se fossem os últimos”
“Bom nada. Eu queria ganhar dos caras aqui (em Buenos Aires)” sobre o resultado do jogo de quarta-feira)
Quando ele brilhou
Durante a fase de grupos do torneio
Emerson fez dois gols na fase classificatória. O primeiro, mais importante: o Corinthians vencia o Nacional, no Paraguai, por 1 a 0. Mas o rival pressionava. Foi quando o atacante marcou um golaço, no começo do segundo tempo. Depois, deixou o dele na goleada por 6 a 0 diante do Deportivo Táchira, no Pacaembu.
Na semifinal, contra o Santos, na Vila
Desse, nenhum corintiano se esquece: golaço no ângulo de Rafael e vitória por 1 a 0. Depois, acabou sendo expulso.
Na final , contra o Boca Juniors
Passe para Romarinho marcar. E muita garra e luta em campo.
3
gols marcou Emerson na Libertadores deste ano
12
jogos ele disputou. Só não atuou na volta da semi
4
amarelos ele recebeu. Além deles, um vermelho
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