Pode até não ser o melhor time que o Corinthians mandou para a competição, mas é o que começará com mais equilíbrio
Obsessão corintiana, a Taça Libertadores é sinônimo de decepção para a maior torcida de São Paulo. Em outras edições da competição, o Corinthians teve times melhores, mais técnicos e qualificados do que este que estreia nesta quarta-feira à noite, contra o Deportivo Táchira, na Venezuela. Mas me arrisco a dizer que o Corinthians jamais mandou a campo pela Libertadores um time tão cascudo e de tanta personalidade quanto este dirigido pelo Tite.
O que não quer dizer que, finalmente, o Timão conquistará a América. Mas acho que a conjunção de fatores aponta para uma boa campanha, com reais chances de conquista. Isso porque o Corinthians tem uma base, um jeito de jogar que vem do ano passado e não mudou. Pode até ser melhorado com o retorno de Douglas, oferecendo a possibilidade de organização e cadência, fundamentais em jogos eliminatórios.
Embora não seja brilhante, o elenco corintiano é equilibrado e confiante. Jogadores médios rendem até mais do que poderiam, sustentados pela eficiência do conjunto. Casos dos laterais Alessandro e Fábio Santos. Pouco brilham, mas cumprem de maneira correta suas funções táticas e contribuem para o bom rendimento do time.
Danilo talvez seja o melhor exemplo da eficiência e do equilíbrio conseguidos pela equipe. Criticado, controverso, ele muitas vezes sacrifica seu desempenho individual para exercer uma função tática relevante, que os torcedores não percebem ou ignoram. Mas Tite o valoriza. Fora isso, é um jogador tarimbado, rodado, com boa técnica. Pode perfeitamente jogar ao lado de Douglas sem prejuízo à equipe.
Libertadores não é guerra/ A dúvida que fica em relação ao Corinthians na Libertadores é sobre o aspecto psicológico. Como bem escreveu o Casagrande aqui no DIÁRIO, se encarar a competição como uma guerra, o Timão corre o risco de somente lutar, lutar e não jogar futebol. É preciso ter a frieza nos momentos mais difíceis, assim como a equipe teve na reta final do Brasileirão do ano passado.
Mesmo sem ter um elenco tão bom como o do Inter e o do Fluminense, sem contar com craques como Neymar, nem com o jogo mais solto do Vasco, o Corinthians talvez nunca tenha entrado tão forte para jogar a Libertadores. O tempo dirá se vai ser suficiente.
A bronca de Elano
Engana-se quem acha que Elano está chateado com Muricy. A bronca do meia santista é com a diretoria do clube. Tudo porque ele soube, quando ainda estava em férias, que foi oferecido ao Grêmio pelos dirigentes santistas. Perguntou ao técnico se era decisão dele. Muricy disse que não. Mas a mágoa com os cartolas é forte.
Falta qualidade
Pouco adianta colocar cinco, dez, 15 juízes em campo se não houver qualidade e uniformidade de critério. A experiência dos árbitros auxiliares no Paulistão caminha para o fracasso porque o que falta mesmo é uma safra de bons árbitros, capazes de interpretar de maneira fria e correta os lances mais difíceis.
Mudança de perfil
Ainda que Marcos Assunção continue sendo fundamental, o Palmeiras está mudando, sim, seu estilo de jogo. Contra o Ituano, foi um time mais de bola no chão, de toque, de velocidade. O jogo passa mais pelo meio-campo e não é apenas chuveirinho. Se fechar mesmo com Wesley, o Verdão ficará enjoado.
Nó tático
Treze minutos do segundo tempo. O time perde por 1 a 0 um clássico, após desperdiçar um pênalti no último minuto da etapa inicial. O treinador prepara três alterações, ousando na tentativa de mudar o jogo. Eis que, irritado com uma provocação banal, marca registrada de um jogador adversário, o zagueiro improvisado como lateral-direito perde a cabeça e é expulso, sem que houvesse tempo para as mudanças surtirem efeito. Depois, burro é o treinador.
Todo mundo já perdeu a cabeça num jogo de bola. Seja profissional, peladeiro, em jogo de fim de ano na firma. Não se condena um atleta por um erro. Mas se avalia, critica e corrige. João Filipe, precocemente alçado à condição de revelação no São Paulo, foi desleal não apenas com o corintiano Jorge Henrique, mas com seus companheiros de time, com Leão e com a torcida. Porque caiu em algo que ele entendeu como uma provocação tola, mas nada tem de ilegal. Jorge Henrique fez o que sempre faz e, diga-se, não é proibido. Deu um drible aqui, um floreio ali, só para irritar o adversário. Tática comum.
Quando perde a cabeça e cava sua expulsão, João Filipe só pensa nele, em seu orgulho ferido de boleiro. Ele se esquece dos três colegas de trabalho que acabaram de entrar em campo, com tanta vontade de vencer como ele.
Repito: perder a cabeça acontece com todo mundo. É preciso reconhecer os erros, com humildade, e trabalhar para enfrentar a catimba e as provocações. Afinal, futebol é um jogo e blefar faz parte dele.
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