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Diário de São Paulo

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SEGUNDA-FEIRA
21 MAIO
03/02/2012 22:15

Elano queima o filme com Muricy e diretoria

Alex Sabino
alex.sabino@diariosp.com.br

Foi estranho. Elano fez um sinal para o banco, solicitando substituição. Em seguida, cobrou falta na trave. Bateu escanteio e correu normalmente. Um jogador só pede para sair, no primeiro tempo, se estiver contundido. Não era o caso do meia do Peixe contra o Oeste. Irritado com as cobranças de Muricy para apertar a marcação e acompanhar avanços do lateral Fernandinho, disse diretamente ao técnico: “Não gostou? Então, troca”.

Assim que o titular gesticulou em campo, o treinador mandou Ibson para o aquecimento. Resolveu aguardar até o intervalo. Monossilábico, Elano saiu de campo sem explicar o que havia acontecido. “Ele estava com dificuldade para fazer a marcação”, disse o comandante, achando um jeito de dizer a verdade sem contar tudo.

O episódio serviu para desgastar o atleta também com a diretoria. A intenção do presidente Luis Alvaro Ribeiro era prestigiá-lo. O jogador tem história no clube e, apesar dos altos vencimentos (R$ 500 mil mensais), é considerado um nome de peso. Mas, desde o final do ano passado, não é visto como imprescindível e pode ser negociado. O Grêmio se interessou. Representantes do Palmeiras entraram em contato para saber da situação do atleta. O Peixe pagou 3,5 milhões de euros (R$ 8 milhões) ao Galatasaray para comprá-lo. Luis Alvaro descarta liberá-lo de graça. Se alguém devolver o dinheiro investido pelo Alvinegro, a coisa muda de figura.

“Se estiver infeliz, ele vai atuar mal, se irritar e não será um bom negócio para o Elano e para o clube”, resumiu o cartola, nesta sexta-feira de manhã.

Queda/  O meia intriga os dirigentes alvinegros e testa a paciência de Muricy. Contratado em janeiro de 2011, voltou à Vila Belmiro, após seis anos, jogando o fino da bola. Foi peça chave na campanha dos títulos paulista e da Libertadores. Tudo mudou a partir da Copa América. Problemas pessoais, falta de confiança e má fase técnica azedaram o relacionamento na Baixada. “Se tiver uma proposta e quiser sair, não há jogador que eu queira que fique se não estiver feliz e satisfeito”, completou Luis Alvaro.

Usando o Twitter, o armador negou ter problemas com o chefe. Na saída para o ônibus, após o empate em Barueri, havia sido enigmático.  “Se achou que eu estava marcando mal, fez certo. Vamos ver o que vai acontecer até o final do ano.”

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