Por mais que não haja um envolvimento emocional próximo, é duro quando você vê um campeão dizer certas coisas. No caso, Georges St-Pierre soltou esta:
"Não serei mais o campeão de nada no sábado à noite. É preciso colocar o cinturão em disputa para se chamar de campeão, de melhor do mundo. Neste momento, não sou o melhor do mundo. Estou lesionado."
Ele se refere ao combate que será realizado neste fim de semana, entre Nick Diaz e Carlos Condit, que vai definir o campeão interino dos meio-médios (até 77 kg) do UFC.
St-Pierre não luta desde 30 de abril de 2011. E vai ficar, pelo menos, mais de seis a oito meses parado, já que operou há um mês para reconstruir o ligamento anterior cruzado do joelho direito.
A cada lesão que ele sofria, o esporte também sofria um baque. GSP já foi considerado um dos melhores lutadores peso-por-peso do mundo. Ainda é o atleta mais popular do Canadá. Deve-se muito por causa dele a explosão do esporte no país. Dana White, presidente do UFC, já disse que o Canadá era a nova Meca do esporte. Atualmente, atribui esse "título" ao Brasil.
St-Pierre, de fato, é um baita lutador. Muita gente diz que ele não finaliza as lutas, não tem muita pegada agressiva, mas é muito consistente e estratégico. É um excelente wrestler. Muito bom no jiu-jítsu. E um carateca bem, bem eficiente.
Durante muito tempo, inclusive, acreditou-se que a "luta do século" seria entre ele e Anderson Silva. Dana White defendeu isso muitas vezes. Mas nenhum dos dois se mostrou muito animado para tal. O canadense não cogitava subir de categoria, da mesma maneira que o brasileiro dificilmente desceria, já que seu peso normal, fora de competições, bate a casa dos 100 kg.
Enfim, quando St-Pierre aparece e diz uma coisa dessas, muita gente sente o baque. Por mais que fosse algo meio óbvio. O lutador não consegue mais, mesmo, manter uma sequência de aparições. E isso é prejudicial. A categoria pode ter boas opções, mas é necessário que se lute pelo cinturão de vez em quando. GSP defendeu o dele por sete vezes. Não é pouco.
Por mais que tenha baixado a guarda, neste momento, o canadense não jogou a toalha definitivamente. "O vencedor da luta de sábado ainda terá de me vencer para ser o verdadeiro campeão. Só assim poderá se chamar de melhor do mundo", disse.
E tem um preferido para esse confronto. "Respeito Carlos Condit, mas quero que Diaz vença. Quero tanto enfrentá-lo, tanto quanto quero vê-lo de joelhos na disputa de cinturão."
O combate, segundo o canadense, poderia ser realizado por volta de novembro.
Seria legal ver GSP em ação novamente. Atualmente, ele pode não ter o mesmo ibope de um Anderson Silva ou um Jon Jones, mas merece respeito. Por tudo aquilo que fez, pela postura que sempre teve, pelo profissionalismo, por ter alavancado o esporte da maneira que alavancou no país dele.
Mas o UFC é duro. Se o cara não rende mais, dá-se prosseguimento na vida. É business, não tem jeito, americano é um sujeito muito frio na hora de tomar decisões desse tipo.
Georges St-Pierre vai perder o rótulo de melhor do mundo entre os meio-médios no sábado. E pode até recuperá-lo, mas vai ter de voltar a ser Georges St-Pierre para isso.
Georges St-Pierre tenta dar a volta por cima no UFC
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