A frase é de Ramon Lemos, técnico de Anderson Silva, em entrevista ao Globoesporte.com:
"Não vamos fazer nenhum trabalho especial para o Sonnen. Nem mesmo para o Bruce Lee. Esse cara falou muita coisa e é lógico que essa luta é muito importante para todos nós, mas o Anderson não quer e não vai entrar no jogo dele. Se ele fizer tudo o que sabe, ganha com tranquilidade e vai dar uma lição nele. Só precisa ser ele mesmo. Não pode entrar na emoção."
É o trabalho dele, evidentemente, defender o Aranha, mas ele está certo na análise. Corretíssimo. Anderson Silva é um lutador mais talentoso do que Chael Sonnen em todos os aspectos. É mais agressivo na trocação, tem uma esquiva mil vezes melhor. No chão, não há muito o que comentar. O americano é fraco no jiu-jítsu, ao contrário do brasileiro, o que rendeu, inclusive, um recado por parte de Lemos:
"Vamos atrás do nocaute ou, até melhor, da finalização. Acho que o Chael Sonnen deveria treinar melhor o jiu-jítsu dele e parar de falar besteira da arte que é a mãe de todas."
Também é verdade. Nunca é demais lembrar que a primeira luta entre os dois terminou assim, com Anderson Silva aplicando uma chave de tornozelo no rival depois de ter sido cruelmente massacrado durante cinco rounds. Na ocasião, o brasileiro disse ter lutado com uma costela quebrada, contra a determinação dos médicos. O americano foi flagrado no exame antidoping e suspenso por um ano.
No que os dois se equivalem, dá para para dizer, é na resistência. Anderson não mostrou muito gás quando teve de disputar muitos rounds, por mais que não haja muito parâmetro para se dizer isso, na verdade, visto que ele tem encerrado os combates muito cedo. Já Sonnen, quando exigido, teve mais fôlego. Por mais que o maior exemplo disso, justamente o combate entre os dois, não seja parâmetro, também, visto que havia uma substância proibida turbinando Chael.
O legal é que a coisa, ao que parece, vai mesmo acontecer. Vai ser bom para acabar de uma vez com qualquer comentário. Quem ganhar praticamente calará a boca do outro para sempre.
Extraoficialmente, os dois vão se encontrar em 16 de junho, no Brasil. Fala-se muito no Estádio do Pacaembu, ainda que, recentemente, notícias tenham dado conta de que a negociação não é tão simples assim. O bairro é muito residencial e encontra uma forte resistência por parte dos moradores locais. Já é assim com o futebol, com jogos que terminam, no máximo, perto de meia-noite. O que dizer de um evento que pode se arrastar até 1h, 2h da manhã...
Agora, acima de tudo isso, existe, principalmente, um ponto que Lemos também fez questão de lembrar: o orgulho. Sonnen está provocando o Aranha faz tempo, da maneira que consegue, atacando a ele, pessoalmente, e até mesmo sua família. Isso, evidentemente, aumenta a motivação de qualquer um. Não bastasse o fato de se apresentar em seu país. E não bastasse, principalmente, que não se trata de "qualquer um"...
Se tivesse de apostar, colocaria todos os meus cobres no brasileiro. Sem pensar, sem patriotismo exagerado.
Quem viver, verá...
Anderson e Sonnen: vai ser fácil? Será?
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