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Diário de São Paulo

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QUARTA-FEIRA
22 FEVEREIRO
29/01/2012 04:56

Estou de mal

Leão, publicamente, disse não ter problema com Rogério e não está no São Paulo para peitar ninguém. A mim, já elogiou o goleiro. Rogério, que me lembre, não reclamou.

Sérgio Ramos, o zagueiro, teria dito a José Mourinho, o técnico, que o professor não jogou futebol, então não está com essa bola toda. Será que disse? E depois felicita o técnico pelo aniversário, via Twitter? É, no Real Madrid também tem desavença e Twitter, claro.

Comentadíssima é a dividida no Flamengo, entre Luxemburgo e Ronaldinho. Às vezes uma foto sorridente, outras uma espetada. Dizem que Luxemburgo como técnico não é mais o mesmo. Nem Ronaldinho, como jogador.  

Quem ganha com todo esse blá-blá-blá? Clubes e personagens envolvidos certamente não. E são todos, inclusive os não citados, homens crescidos, bem postos na vida. De vez em quando, fica a impressão de que o tal do fogo amigo anda mais aceso do que nunca, também no mundo da bola. Quem poderia apagar joga gasolina. E em certos casos a vaidade ganha do bom-senso. 
Onde há fumaça, uma conversa olho no olho pode evitar intoxicação. Rusgas existirão em qualquer grupo, de qualquer setor. Tem de haver honestidade (que é obrigação, não qualidade), lealdade, correção, com ou sem amizade. Chato é cada vez mais lenha na fogueira da fofoca. Não, eu não estou de mal de ninguém.

É brincadeira
Adoro brincar de comparar jogadores. Quem foi melhor, fulano ou beltrano? É ótimo passatempo, gera boa discussão em roda de amigos. Na hora de falar sério, esse papo de ranking vale a pena? Cada um pode ter critério próprio para gostar mais desse ou daquele. Foi divulgado um da revista americana “Sports Illustrated”. Na reportagem, os quatro melhores do futebol de todos os tempos na ordem, são: Messi, Maradona, Cruyff e Pelé.

Como se chegou a essa ordem? Os dez jornalistas da revista que montaram o ranking entraram em um sorteio. O primeiro sorteado escolheu o melhor de todos os tempos para ele. E o escolhido passou a ser o melhor de todos os tempos. E assim por diante. Claro que não é ranking. É a opinião de um observador, respeitável, sem ser verdade absoluta. Brincadeira de comparar à parte, esse jogo não vale a pena. Pelé é Pelé. Michael Jordan é o Pelé do basquete. E alguns outros esportistas ganhariam o mesmo status. Para mim, não para todos.

Talento é tão bom de apreciar que não precisa ser comparado a outro talento. E não há tempo. Craque de ontem, de hoje, será craque amanhã e sempre.

Domina e Toca com Pelé
Já pode ser considerado um destaque entre os treinadores de equipes de base. E tende a crescer na carreira. Foi um jogador de bons serviços prestados ao Santos, que chegou à seleção brasileira. Finalista com o Santos e campeão com o Corinthians da Copa São Paulo de Futebol Júnior, tem ideias que merecem atenção quando o assunto é categoria de base.

Como se trabalha com a base?
NARCISO: É um trabalho diferenciado. Ao contrário do profissional, onde o objetivo é conquistar títulos, na base a prioridade é revelar atletas. Para escolher um jogador, eu olho tecnicamente. Se o atleta é tecnicamente bom, eu já olho com pouco mais de carinho. Depois o olho no olho pra ver se tem gana de vencedor. E, por último, estrutura física, tamanho, potencial de crescimento.

Os garotos surgidos na base são bem aproveitados?
Depende muito do treinador do profissional. Não vejo hoje um pensamento em revelar jogadores. Os treinadores são muito cobrados por títulos. Se não aparecer um jogador muito diferente, a preferência é contratar um atleta mais experiente a apostar em um garoto de 18 anos.

É possível fazer no Brasil o que faz o Barcelona?
É claro que sim. Nós brasileiros temos mais recursos humanos do que o Barcelona tem. Mas a filosofia tem de ser implantada de cima pra baixo. Lá, o Guardiola, ganhando ou perdendo, vai permanecer por 20 anos com a mesma filosofia e sistema tático, sem medo de perder o emprego por causa de resultados.

O jornalista e narrador Cleber Machado escreve aos domingos no BOM DIA

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