A polêmica foi grande. Todo mundo já sabe do que se trata, mas, aos fatos, pois: Mario Yamasaki tirou a vitória de Erick Silva, contra Carlo Prater, no UFC 142, no Rio de Janeiro. Na interpretação do árbitro, o capixaba deu golpes ilegais no rival, na parte de trás da cabeça dele quando estava no chão, o que a regra, de fato, não permite.
O problema é que ficou difícil perceber, mesmo depois de olhar replays e replays, os tais socos ilegais. Ao que parece, Silva acertou sempre o corpo e a parte lateral de Prater, o que o regulamento permite.
Imediatamente, Yamasaki começou a ser contestado. Primeiro, foi por Joe Rogan, o entrevistador oficial do UFC. Ainda no octógono, ele questionou a decisão. "Vamos ver novamente, no telão, para ver se aconteceu alguma coisa", disse ele, para emendar, na sequência: "Não vi nada de ilegal ali. Para mim, não aconteceu nada. Na minha visão, Erick Silva é o vencedor do combate."
O juiz tentou se defender. "Tive de tomar uma decisão naquele momento, e a que tomei me pareceu ser a mais acertada, sim."
Fato é que Yamasaki sentiu mais o golpe do que qualquer outra pessoa, sem trocadilhos. Nos combates seguintes, o semblante, pelo menos, era diferente. Mesmo que ache que não errou, depois de ver e rever o lance, em determinado momento vai bater o sentimento de culpa. Porque ele foi metralhado, por todas as partes.
Depois de Rogan, ninguém menos do que Dana White, o sujeito que manda na coisa toda, atestou a falha do brasileiro. "Ele, definitivamente, tomou uma decisão errada. É um excelente árbitro, que já tomou muitas decisões acertadas, mas, desta vez, foi mal. Ele errou. Por isso, vamos tratar Erick Silva como o vencedor da luta, vamos pagá-lo como se tivesse vencido", disse.
O lutador falou pouco sobre o acontecido. "Acho, honestamente, que não fiz nada de errado. Mas, se errei, peço desculpa a todo mundo. Entrei no octógono para dar o meu melhor", disse ele, que teria conquistado a segunda vitória em duas aparições no UFC, ambas em menos de um minuto. É um sujeito de talento.
Mas Dana tocou em um ponto interessante. "O que é uma vergonha é que Erick vai carregar essa marca negativa na carreira dele. No cartel, essa luta vai contar como derrota. Na prática, para nós e para o seguimento da situação dele no UFC, ele não precisa se preocupar. Como eu disse, para mim, ele é o vencedor, e assim será tratado em todos os aspectos", disse o patrão, tranquilizando o brasileiro nesse aspecto, pelo menos.
White ainda admitiu que tem de sentar com a comissão esportiva e analisar a possibilidade de se apelar para replays para mudar decisões equivocadas, como a que, na visão dele, Yamasaki tomou. Ou seja, quem sabe pintem novidades e mudança de regra por aí. O que, diga-se, nesse aspecto, é altamente positivo. Os principais esportes do mundo fazem utilização de recursos eletrônicos para apoiar decisões complicadas. O futebol ainda se recusa a isso, mas a própria Fifa já disse que as bolas com chip vêm aí. Com o UFC, claro, um esporte até de vanguarda em alguns aspectos, não será diferente.
Tirando Erick Silva, por motivos óbvios, o restante das pessoas vai acabar esquecendo do episódio do UFC 142. Yamasaki vai perder algumas noites de sono, Dana White também - ainda que menos -, Prater vai pensar nisso. Mas a coisa vai passar. O importante é que não aconteça de novo. É duro e suado, literalmente, subir naquele octógono e trilhar um caminho de vitórias que leve a um cinturão ou o que quer que seja. Quando isso é tirado de alguém de maneira injusta, não é apenas ele que sofre, mas, sim, o esporte em geral.
Sem crucificar Yamasaki que, de fato, é um dos melhores árbitros em atividade. White fez questão de pontuar isso, o tempo todo, com medo de que o juiz fique marcado por isso. Mas o que é certo é certo.
Enfim, vida que segue. Para todo mundo, não tem jeito, as coisas são assim, mesmo, de vez em quando.
O momento em que Yamasaki interrompe o combate entre Erick Silva e Carlo Prater
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