04/01/2017 10:00

Os Doces Selvagens da Festa Mareh

Por: Rodrigo Pitta
rodrigo.pitta@diariosp.com.br

Oca montada no meio de uma praia deserta em Cumuruxatiba / Fotos de Arquivo Pessoal

Hoje, a coluna não traz uma entrevista, mas, sim, um pouco da minha aventura musical do Réveillon. Meu final de ano foi tumultuado, bem 'à la 2016' - que, graças a Deus, acabou. 

Eu tinha armado um show no Rio que, por causa de uma obra do destino, foi cancelado na última hora. Traumas passados, pois tive que desmarcar com um monte de gente, resolvi mudar tudo e embarquei em uma viagem diferente e mágica, para fazer uma das coisas que mais gosto na vida: invadir a pista de dança com Djs maravilhosos e uma turma da pesada.

O destino? Cumuruxatiba, no sul da Bahia, próxima à costa do descobrimento do Brasil.

O motivo? Participar do Festival Mareh, criado pelo paulista Guga Roselli que há 12 anos reúne o melhor da Disco Music, no Brasil e no exterior, em locações paradisíacas no nordeste do Brasil.

A aventura começou na estrada. São 1,4 mil km até aqui. Aliás, escrevo a primeira coluna do ano em frente ao mar que muda de cor a cada instante, mil tons de azul. Viemos em dois carros partindo de São Paulo, e a turma não poderia ser melhor: Dudu, Ricardo, Laura, Neil, Carol e Carlos. Um Big Brother de amigos artistas, produtores culturais, empresários, pensadores. Paramos em uma fazenda maravillhosa em Minas, para dormir, e seguimos viagem até Cumuruxatiba, uma vila onde o telefone não funciona, com algumas colônias indígenas ao redor preservadas pelo governo local. Lá, encontramos Vanessa, que já estava na casa em frente ao mar que alugamos juntos.

Guga Roselli e sua Mareh chegam com um "circo" em cada cidade que visitam, e é uma estrutura admirável, levando em conta o paraíso onde estamos. O line up de Djs é de cair o queixo, entre residentes que construíram a história e imagem da festa, novos talentos e nomes conhecidos da cena Rio-São Paulo como a dupla Selvagem, que arrasou nos sets que apresentou na festa antes do Ano-Novo e na festa a bordo de uma escuna ontem. Imaginem só, uma escuna em alto mar, com Djs, e um bar maravilhoso, apenas para 150 convidados.

Foram 6 horas em alto mar. Um sonho. Há um bar central em uma área estratégica da cidade, o Bar da Praia, que concentra grande parte das apresentações dos 31 Djs que se apresentaram no festival, que durou uma semana. O nova iorquino Eric Duncan, o californiano Alex Pssternak, Disky Trico, o holandês Joaquim e o festejado Márcio Vermelho, considerado o melhor DJ do Brasil da atualidade, foram os destaques do festival.

A pista era sempre bem eclética, muitos 'mauricinhos' e 'patricinhas' disfarçados de gente alternativa, interagiram com gays, turistas de outros países e algumas figuradas carimbadas da cena eletrônica como o promoter Ton Kabir e o clubber Marílio. A festa principal reuniu mil pessoas e aconteceu em uma Oca estilizada, montada na ponta de uma falésia em uma fazenda com praia particular, uma locação surreal e muito especial, que com certeza vai ficar na mente de todo mundo que participou.

A festa Mareh é definitivamente uma das grandes fomentadoras de música eletrônica no Brasil, com uma linha musical apurada, cheia de vocais, sons tribais africanos e asiáticos e, claro, grandes clássicos da disco music em versões originais. É música de deixar feliz, com o espírito elevado. Essa era minha principal missão após mudar radicalmente os planos: estar feliz, rodeado de amigos que se divertem e definitivamente sabem entrar de férias (risos).

Às vezes, o estresse cotidiano faz a gente se esquecer de como é bom ser plenamente feliz. 2016 não foi um dos anos mais felizes para os brasileiros, nem para mundo e nem mesmo a música sobreviveu ao caos desse ano, perdemos jóias como David Bowie, Prince, George Michael e o luminoso Cauby Peixoto... Mas, assim como há um dia após o outro, felizmente temos o ano seguinte para tudo mudar novamente. Que 2017 traga uma nova Mareh pra gente. Feliz Ano Novo!

Rodrigo Pitta (centro), o produtor cultural africano Neil Brandt, a diretora de cinema Vanessa Guedes, o promoter Ton Kabir, a advogada Laura Colluci, o pianista Eduardo Santos, Carol Suzmeyan e o empresário Carlos

Rodrigo Pitta e o Dj da dupla Selvagem, no festival Mareh

 

O criador da Mareh, Guga Roselli / Foto: Felipe Gabriel

O Bar da Praia no centro de Cumuruxatiba / Foto: Felipe Gabriel

A escuna da festa Mareh / Foto: Felipe Gabriel


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SOBRE CAMARIM: Rodrigo Pitta

Rodrigo Pitta é um artista multimídia. Cantor, diretor, escritor e compositor. Revelado como dramaturgo e diretor no musical Cazas de Cazuza, em 2.000. Nos anos seguintes, escreveu e dirigiu espetáculos musicais de sucesso, como Um Homem Chamado Lee. Também já escreveu um livro. Em 2013, lançou seu primeiro CD Estados Alterados, que teve música na trilha da novela Amor a Vida. Atualmente está gravando seu novo disco, previsto para 2016. "O melhor da vida, é circular por todas as artes" diz R.Pitta.