22/12/2016 21:07

Papai Noel Corporation

 

Essa crônica foi escrita no Natal de 2013, quando minha filha tinha 6 anos. Achei que valia trazê-la hoje aqui, 3 anos depois, por ocasião do Natal.

 

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Dando banho na Michele ontem, ouvi isso:

 

— Papai, sabia que o Papai Noel tem uma fábrica de brinquedos só dele?

— Sabia sim — eu disse — quem te contou isso?

— A professora na escola.

— Mmm, que legal! É isso mesmo, filha.

 

Pequena pausa, ensaboa daqui, ensaboa dali...

 

— Papai, então por que os presentes do Papai Noel vêm no papel da Ri Happy?

 

Pausa minha agora. Meu Deus, o que vou dizer? Não fui treinado pra isso! O melhor é a verdade, que nunca faz mal.

 

— Filha, é a terceirização. A Ri Happy, a PB Kids e essas megacorporações do entretenimento têm um acordo com o Papai Noel, que pega os brinquedos sempre nas lojas mais perto das casas das crianças, de forma a conseguir vantagens logísticas, de frete... Além disso, essas lojas declaram as doações que fazem para o Papai Noel no IR e têm benefícios fiscais; dessa forma, todos ficam felizes. Entendeu?

— Tendi, papai.

 

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