02/11/2016 16:28

Quase dezembro

Por: Alessandro Araujo

A forma mais fácil de sair por aí sem muita agitação. Todas as ideias lá. Paradas no ponto de partida ideal. Virava as páginas com os dedos no smartphone. Os fones de ouvido de volume no último ponto, o mais alto. Ouvia-se de fora. A vontade de sair e correr. O desejo pela novidade que nunca acontecia. Não estava prevista para os próximos dias.

A única coisa importante estava nos noticiários, sites, colunistas, blogueiras com o assunto pronto, apresentadores de talk shows de piadas boas. O foco era ele. A faixa verde e amarela em combinação com os fios brancos. Combinação? Aquilo era estranho. Um espécie de fashion freak (mais sensato do que o outro substantivo).

Aquele prédio era escuro. Na calçada, as carroças ficavam mais coloridas pelas luzes do semáforo. Invadido. Dava pra ver de fora o cara pulando de um lado para o outro, nos curtos metros quadrados do apartamento no primeiro andar. As noites estavam quentes. Ele segurava uma raquete elétrica na mão. Berrava em comemoração ao matar os mosquitos.

Conjugar: nada de mesóclise. As ruas cheias de todo tipo de gente pedindo grana e algo. Cigarro, dias estes difíceis pra fumar sem a interrupção de um: dê-me um cigarro ou dá um cigarro, tanto faz. Eles pediam. Os olhos diziam mais do que as frases. O verão ainda esquentaria mais. Os termômetros mostraram números extremamente estranhos. As músicas dos bares. Quase dezembro.


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SOBRE Alessandro Araujo

Escritor, paulistano e não sabe escrever sobre ele. Lançou seu primeiro livro em 2012, publicou contos nas revistas CULT e Caros Amigos e no Jornal Rascunho. Mais que uma história, o universo a que se refere exige articulações ficcionais diferentes.