Foi o genial Nelson Rodrigues quem criou a expressão complexo de vira-lata. O dramaturgo se referia ao sentimento de inferioridade do povo brasileiro, agravado com a derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950, em pleno Maracanã. Segundo o escritor, nós temos a mania de cuspir pra cima e de só valorizar o que vem de fora.
Claro que os tempos mudaram. O crescimento econômico e a diminuição de nossas mazelas, ainda que em ritmo lento, aumentaram um pouco o nosso patriotismo. Mas ainda não conseguimos nos livrar totalmente dessa sensação de que a grama do vizinho é sempre mais verde do que a nossa.
Não quero bancar o do contra, mas vejo Barcelona e Santos praticamente no mesmo nível. As propostas de jogo, sim, são distintas. Enquanto o time espanhol pratica um futebol coletivo, com troca de passes e movimentação constante, a equipe brasileira aposta na objetividade e na individualidade de seus homens de frente, principalmente o Neymar.
É óbvio que o estilo do Barça agrada mais aos olhos. Mas isso não quer dizer que o Santos seja ruim. Além disso, o futebol é um esporte abundante em acontecimentos imprevisíveis.
Da mesma forma que o Messi pode enfileirar a defesa do Peixe na final deste domingo, o Neymar tem plenas condições de garantir o tri. Basta acreditar.
A vantagem da América do Sul
É sempre difícil imaginar como vai ser um jogo entre um clube europeu e outro da América do Sul. Afinal, raramente essas duas escolas se encontram. A nossa vantagem está no fato de os principais campeonatos do Velho Continente serem transmitidos ao vivo para o Brasil. Por isso, nós conhecemos bem a forma de jogar do Barcelona. Por outro lado, duvido que o Guardiola, técnico do clube catalão, tenha assistido a mais do que três partidas do Santos nesta temporada.
Isso já nos ajudou em outras ocasiões. Em 1981, os jogadores do Liverpool se julgavam favoritos na decisão da Copa Intercontinental contra o Flamengo. Quando perceberam que eram, na verdade, inferiores ao adversário, o Rubro-Negro já vencia pelo placar de 3 a 0, fora o baile.
Palavra do artilheiro
Gostei do comportamento do Tite quando a negociação para a renovação de seu contrato com o Corinthians ameaçou melar. Ele teve a sabedoria de telefonar diretamente para a diretoria alvinegra a fim de resolver, de uma vez por todas, o assunto.
O desfecho na novela foi positivo para os dois lados. O treinador recebeu uma valorização merecida, depois de passar por maus bocados em 2011. E o Timão vai continuar com um treinador competente, que soube conduzir uma equipe sem estrelas ao título do Campeonato Brasileiro.
Claro que o agente do gaúcho não foi o único culpado pelo impasse que se criou a respeito da permanência do Tite no Corinthians. O treinador sabia muito bem da estratégia de negociação adotada por seu representante. O mérito dele foi perceber rapidamente que a relação estava azedando. Se o técnico não mexesse os seus pauzinhos, é provável que o Tite estivesse, neste momento, desempregado, com o clube do Parque São Jorge correndo atrás de um novo comandante para a próxima temporada.
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