Sete meses, muita disputa. Na maior parte do tempo, líderes embolados. Só na penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, chegou-se a apenas dois candidatos ao título: Corinthians e Vasco.
Seis times ainda têm chance de conquistar vaga para disputar a Libertadores do ano que vem. Três equipes correm e só uma escapará do rebaixamento para a Série B. A se notar que os blocos, como nos últimos anos, foram pouco alterados.
Ou seja, um grupo de times brigou em cima, outro embaixo, com poucas arrancadas e despencadas durante as, até aqui, 37 rodadas que foram disputadas.
Fui perguntando a profissionais e torcedores se esse equilíbrio todo que presenciamos é um elogio ou uma crítica. As respostas se dividiram.
Os elogios
Eles são principalmente pela emoção que o campeonato proporcionou. O fortalecimento financeiro do futebol possibilitou o reforço técnico, com contratações de jogadores conhecidos e competentes, alguns deles muito famosos, trazidos do exterior. Explicar as derrotas dos líderes para os últimos colocados é tarefa mais difícil. Mesmo ao elogiar, não se dá ênfase à técnica e à qualidade do jogo, mas à intensidade, à estratégia, ao bom preparo das equipes. E o elogio definitivo é pelo atrativo, pelo interesse até o final, o envolvimento de todas as torcidas, o bom e velho “é preciso ter coração forte”.
As críticas
São mais pelo modo como o equilíbrio prevaleceu. Ninguém quer o campeonato decidido antecipadamente, com um ou dois candidatos definidos logo cedo. Mas a alternância no desempenho dos times, a qualidade dos jogos, a irregularidade das exibições foram muitas vezes abaixo do que se pode jogar ou do que o futebol brasileiro deveria produzir. Houve muito empenho, suor, mas nem tanta inspiração. Por mais que oscilar seja um verbo conjugado por todos, sentiu-se a falta de um time empolgante por mais tempo. Alguns foram, mas apenas por algum tempo.
Ressalva e mérito
Muita gente faz a ressalva ao Santos, que, campeão da Taça Libertadores e de olho no Mundial de Clubes, perdeu pontos que não se imaginaria pudesse perder durante a disputa deste Campeonato Brasileiro.
É compreensível, pelo potencial do time, reconhecido pelos adversários. E o Santos tem Neymar, um dos mais brilhantes da atual população do planeta futebol, que briga para ser escolhido o melhor jogador do mundo ao lado do supercraque argentino Messi, do Barcelona.
Os méritos são de Corinthians e Vasco. Na boa ou na má fase, na alegria e na tristeza, foram os dois times mais regulares. E justamente pelos pontos, pelos dribles nas adversidades, merecem chegar à última rodada na disputa pelo título.
Se houver conclusão
Talvez não se possa ter tudo. Tomara tenhamos melhores jogos tecnicamente no ano que vem. A partir de jogadores e treinadores, por filosofia. E que se mantenha o equilíbrio. O campeonato não foi brilhante nem modorrento. De craques nem só de grossos. Ninguém sobrou, alguns se mantiveram. Não foi enfadonho, foi emocionante.
Boa nova
A Copa do Brasil, de março a novembro, com a entrada dos times que disputarem a Libertadores, é ótima decisão, desejada há muito tempo. Como se sabe, será a partir de 2013. Libertadores e Sul-Americana disputadas simultaneamente seria um bom passo que a Conmebol poderia dar.
Domina e Toca com Toquinho e Branco Mello
O Brasil inteiro ligado. Torcedores roendo as unhas, cantando, sofrendo, comemorando. Envolvimento total e absoluto. Um dia de celebração. Músicos criativos e talentosos, o corintiano Toquinho e o palmeirense Branco Mello (dos Titãs) estão no clima.
DIÁRIO_ Como você está se sentindo?
TOQUINHO_ Morrendo de medo, porque futebol é ilógico, injusto e, às vezes, altamente cruel. Para me animar, penso na probabilidade de 4 a 1 para o Corinthians.
BRANCO_ Sem receio. O Palmeiras sofreu o ano todo. Agora, está tranquilo.
Qual é a sua vitória inesquecível sobre o rival?
TOQUINHO_ Todas são sempre saborosas, por ser o Palmeiras nosso inimigo de estimação. Uma delas teve um sabor especial, quando ganhamos o título e Edílson, num gesto de menosprezo, colocou habilmente a bola na nuca e, como malabarista, gerou a grande confusão, acabando tudo em pancadaria.
BRANCO_ Final do Paulista de 1993. Depois de perder o primeiro jogo, com Viola imitando porco, o Palmeiras foi campeão fazendo 4 a 0 no jogo de volta. Palmeiras 1, 2, 3, 4... Em 2000, o Palmeiras eliminou o Corinthians da Libertadores, com São Marcos pegando pênalti do Marcelinho Carioca.
O que você tem dito aos seus amigos torcedores adversários?
TOQUINHO_ Coitadinhos...
BRANCO_ Sem sacanagem, não tenho encontrado nenhum ultimamente...
E o que eles dizem a você?
TOQUINHO_ Palavras com certo tom de agressividade, diante da excelente fase corintiana e da imensidão e do carisma desse time.
BRANCO_ Não dizem.
E placar deste domingo?
TOQUINHO_ 2 a 1 para o Corinthians.
BRANCO_ Verdão 2 a 1.
Com Tiago Moler e Carlos Cereto
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