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Diário de São Paulo

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SEGUNDA-FEIRA
21 MAIO
27/11/2011 08:00

Histórias sobre a hipocrisia

O profeta e os tigres

O falso profeta chegou à aldeia e assustou a todos com  ameaças de males que viriam da floresta. As pessoas, assustadas, reuniram uma enorme quantia de dinheiro e lhe entregara, de modo que conseguisse afastar o perigo.

O homem comprou alguns pães velhos, e começou a espalhá-los em torno da floresta, recitando palavras incompreensíveis. Um rapaz se aproximou:

– O que está fazendo
– Salvando os seus pais, seus avós, e seus amigos da ameaça dos tigres.
– Tigres? Mas não existem tigres neste país!
– Por força da minha magia – disse o falso profeta. – Ela funciona sempre, como está vendo.
O rapaz ainda tentou argumentar. Mas os habitantes  resolveram expulsá-lo da cidade, pois ele estava atrapalhando o trabalho daquele homem santo.


A lei e as frutas

No deserto, as frutas eram raras. Deus chamou um dos seus profetas, e disse:
– “Cada pessoa só pode comer uma fruta por dia." 
O costume foi obedecido por gerações e a ecologia do local foi preservada. Como as frutas restantes davam sementes, outras árvores surgiram. Em breve, toda aquela região transformou-se num solo fértil, invejado pelas outras cidades.
 
O povo, porém, continuava comendo uma fruta por dia – fiel à recomendação que um antigo profeta tinha passado aos seus ancestrais. Além do mais, não deixava que os habitantes das outras aldeias se aproveitassem da farta colheita que acontecia todos os anos.
O resultado era um só: as frutas apodreciam no chão.

Deus, então, chamou um novo profeta e disse:
– Deixe que comam as frutas que queiram. E peça que dividam a fartura com seus vizinhos.

O profeta chegou na cidade com a nova mensagem. Mas terminou sendo apedrejado – já que o costume estava arraigado no coração e na mente de cada um dos habitantes.

Com o tempo, os jovens da aldeia começaram a questionar aquele costume bárbaro. Mas, como a tradição dos mais velhos era intocável, eles resolveram afastar-se da religião. Assim, podiam comer quantas frutas queriam, e dar o restante para os que necessitavam de alimento.
 
Na igreja local, só ficaram os que se achavam santos. Mas que, na verdade, eram pessoas incapazes de enxergar que o mundo se transforma e que nós devemos nos transformar com ele.
 

A reflexão

Diz o monge beneditino Steindl-Rast:
“De manhã, devemos nos comportar como se fossemos atravessar uma rua: parar, olhar para os lados e  ir em frente.
Antes de nos atirarmos a atividade frenética do dia, nós paramos. Isto nos permite refletir sobre nossas prioridades, as atitudes possíveis diante de um problema, as decisões que precisam ser tomadas.

Em seguida, nós olhamos para os lados. Não adianta parar, se não enxergamos o que acontece a nossa volta. É necessário entender que, ao tomar uma decisão, estamos influenciando e sendo influenciados por tudo que está acontecendo a nossa volta.

Finalmente, nós seguimos adiante. Não adianta parar, olhar para os lados, se não temos um objetivo definido. O fato de agir é que justifica tudo – e que nos permite mostrar, através do trabalho, a imensa glória de Deus. E para que tudo isso dê certo, basta se comportar da mesma maneira que nos comportamos quando atravessamos uma rua.”

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