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Diário de São Paulo

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SEGUNDA-FEIRA
21 MAIO
12/11/2011 08:00

Muito dinheiro, pouca ganância

Claro que a permanência do Neymar até a Copa de 2014 não decorreu apenas do amor dele pela camisa do Santos. O próprio presidente do clube declarou que o atacante receberá um aumento de salário, além de luvas por ter assinado o novo acordo. Nada mais merecido. Toda vez que entra em campo, o Neymar dá show e prova ser um dos melhores jogadores do mundo. Um dia, será o melhor.

Os amigos leitores talvez se lembrem de que já peguei muito no pé do craque do Santos. Não por duvidar de seu talento, mas porque o Neymar andou deslumbrado demais com a fama. Ele bateu boca com o Dorival Júnior — que acabou demitido por conta do atrito — e se desentendeu com colegas de time. Felizmente, seu comportamento mudou para melhor.

A decisão de continuar no clube que o acolheu, além de demonstrar gratidão, é um indício de que o Menino da Vila cresceu. Está mais maduro.

Óbvio que as situações são diferentes, mas a permanência do Neymar me fez recordar de quando o Marcos recusou uma oferta do Arsenal, da Inglaterra, para ficar no Palmeiras, que havia sido rebaixado para a Série B. Muita se gente se surpreendeu com a atitude do goleiro. Alguns até o criticaram, como se o sujeito não tivesse o direito de escolher o próprio destino.

Mas, na cabeça do Marcão, a felicidade não estava na Europa. Estava, sim, em defender as cores do time do coração, em permanecer perto da família e dos amigos. Isso não é ser acomodado. É não ser ganancioso.

Ainda que a compensação financeira oferecida pelo Santos tenha pesado para o Neymar seguir no clube, tenho convicção de que o garoto só resistiu às investidas de Real Madrid e Barcelona porque seus sentimentos pelo Peixe são verdadeiros. E porque ele já está satisfeito com a vida que leva.

Quando a próxima Copa terminar, o Neymar terá 22 anos. A Europa pode esperar por ele.

Busca por reforços não pode servir como desculpa
Um amigo me perguntou outro dia se essa história de o Corinthians querer contratar todos os bons jogadores do planeta – negocia com Tevez, Kleber e Montillo, entre outros – não atrapalha a equipe nesta reta final de Brasileirão. Respondi que uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Os jogadores que estão envolvidos na disputa pelo título nacional têm de se concentrar exclusivamente no momento atual, que é único. Não podem se preocupar com o futuro. Mesmo porque dificilmente o Corinthians conseguirá contratar todos os atletas que deseja trazer.

Este é a hora de o Adriano e os demais atletas do elenco alvinegro se unirem em busca da taça.

palavra do artilheiro
Fiquei contente  com a conquista da Portuguesa na Série B. Trata-se de um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, dono de uma torcida apaixonada. Já estava mais do que na hora de a Lusa voltar ao lugar que é dela por merecimento: a divisão de elite do Campeonato Brasileiro.

Assisti ao jogo que garantiu o título rubro-verde, na terça-feira, e fiquei impressionado com o que vi. Além de uma equipe bem ajustada, a Portuguesa tem um elenco unido,  com jogadores que gostam de jogar juntos. Se mantiver a espinha dorsal do time até a próxima temporada, a Lusa tem tudo para fazer bonito na Série A. Aliás, se já estivesse na Primeira Divisão, é possível que a equipe brigasse até por Libertadores, como ocorre com o Figueirense.

É preciso enaltecer o trabalho do Jorginho. Sério e dedicado, ele teve a habilidade de cativar os atletas e uni-los em busca de uma meta comum: o acesso. Mesmo à distância, dá para perceber o quanto os jogadores o respeitam e o admiram.

Lembro-me da época em que o Jorginho assumiu interinamente o comando do Palmeiras, depois da demissão do Vanderlei Luxemburgo. Durante um programa, defendi que ele deveria ser efetivado no cargo, já que a equipe vinha voando sob seu comando.

A diretoria verde preferiu trazer o Muricy Ramalho e o tiro, que parecia certeiro, saiu torto, porque o  momento era do Jorginho.

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